Observados navios russos perto das fugas de gás no Nord Stream

29 set, 09:32
Mancha provocada pela fuga de gás no Nord Stream (Forças Armadas da Dinamarca)

Informação foi adiantada por fontes dos serviços de informação ocidentais à CNN Internacional, não sendo claro, contudo, se está relacionada com as explosões registadas recentemente nos gasodutos

As autoridades de segurança europeias observaram na segunda e terça-feira navios de apoio da marinha russa nas proximidades das fugas dos gasodutos Nord Stream, avança a CNN.

A informação foi adiantada por dois oficiais dos serviços de informação ocidentais e uma outra fonte familiarizada com o assunto, que apontam também que não é claro se os navios estão relacionados com as explosões registadas nos últimos dias – mas é um dos muitos fatores que estará a ser investigado.

De acordo com a publicação, além dos navios detetados esta semana, também foram observados submarinos russos não muito longe das mesmas áreas na semana passada, disse um dos oficiais.

Três funcionários norte-americanos afirmam que os Estados Unidos ainda não têm uma explicação para o que aconteceu, dias depois das explosões terem alegadamente provocado três fugas separadas e simultâneas nos dois gasodutos na segunda-feira.

Detetada quarta fuga de gás no Nord Stream

Entretanto, a Guarda Costeira da Suécia descobriu uma quarta fuga de gás no já danificado Nord Stream, disse esta quinta-feira um porta-voz ao jornal Svenska Dagbladet, citado pela Reuters.

“Duas dessas fugas estão na zona económica exclusiva da Suécia”, disse a porta-voz. As outras duas fugas estão na zona económica exclusiva dinamarquesa, de acordo com uma tradução do relatório publicado pela Reuters e citado pelo The Guardian.

“A distância é algo subjetivo, mas elas estão próximas uma da outra”, disse o responsável, referindo-se às duas fugas do lado sueco. “Trata-se de um grande derrame de cerca de 900 metros de diâmetro e outro mais pequeno de cerca de 200 metros”, disse Jenny Larsson, porta-voz da Guarda Costeira, ao jornal Svenska Dagbladet.

Até agora, as autoridades dos dois países tinham confirmado uma fuga na área do Mar Báltico pertencente à Suécia, a nordeste da ilha de Bornholm, e duas na área pertencente à Dinamarca.

As fugas estão a causar agitação marítima significativa na superfície da água, ao longo de várias centenas de metros, o que impossibilita a inspeção imediata das estruturas, segundo as autoridades.

Fugas terão sido provocadas por "explosões intencionais"

De acordo com um oficial militar dinamarquês, a presença dos navios não indica necessariamente que a Rússia provocou os danos, uma vez que os navios russos operam frequentemente na área. Mas, para a Dinamarca, uma coisa é certa: as fugas foram provocadas por "explosões intencionais".

Apesar dos altos funcionários ocidentais não terem atribuído diretamente à Rússia ou a qualquer outra nação, a CNN frisa que os avistamentos ainda lançam mais suspeitas sobre a Rússia, que atraiu mais atenção das autoridades europeias e norte-americanas como o único país na região que se acredita ter a capacidade e a motivação para danificar deliberadamente os gasodutos. O Kremlin, contudo, já veio negar publicamente ter atingido os gasodutos e considerou a alegação de “previsivelmente estúpida e absurda”. A CNN entrou em contacto com o Ministério da Defesa russo para comentar sobre a presença dos navios, mas não obteve resposta.

Tanto a Dinamarca como a Suécia estão a investigar, mas ainda não foi feita uma inspeção ao local e os detalhes sobre exatamente o que causou as explosões permanecem incompletos.

À Sky News, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Jeppe Kofod, afirmou que as fugas de gás no Nord Stream foram causadas por "explosões intencionais", e considerou o ataque ao gasoduto um evento "sem precedentes".

"É evidente que todos nós precisamos de estar muito conscientes das nossas infraestruturas críticas, por isso todos nós tomámos, penso eu, as medidas de precaução corretas. É uma situação sem precedentes, como já disse, não temos visto este tipo de ataque".

Kofod apelou, também, à redução da dependência energética da Rússia: "Há muito tempo que é claro para nós na Dinamarca, e agora também para o resto da Europa, que precisamos de acabar com qualquer dependência da energia russa, quer seja gás, carvão ou petróleo, e estamos a trabalhar arduamente para atingir esse objetivo", disse.

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