"O nosso país e a nossa liberdade de imprensa devem-lhe muito": as reações à morte de Mário Mesquita

Agência Lusa , FMC
27 mai, 23:03
Mário Mesquita

Mário Mesquita morreu esta sexta-feira, aos 72 anos. Foi um dos fundador do PS, era professor universitário e vice-presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). A sua longa e estimada carreira levou a que muitos se pronunciassem sobre a sua morte

Uma das personalidades políticas a manifestar-se foi o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva que lamentou a morte do jornalista e professor universitário Mário Mesquita, através do Twitter, destacando o seu percurso em prol da liberdade de imprensa e do país.

 

António Costa considera que o jornalismo português perdeu uma referência

O primeiro-ministro considerou hoje que o jornalismo português perdeu uma referência com a morte do professor universitário Mário Mesquita e salientou a sua ação na construção do regime democrático como deputado socialista entre 1975 e 1978. António Costa deixou uma mensagem na sua conta de Twitter:

 

 

PS garante manter viva a memória de Mário Mesquita pela sua importância no partido e pelo papel que desempenhou no jornalismo

O PS expressou profundo pesar pela morte do professor universitário Mário Mesquita, fundador do partido, considerando que o seu percurso se caracteriza pelo pensamento livre e crítico e por ser pioneiro no jornalismo.

“A Direção Nacional do PS expressa o seu pesar perante a notícia do falecimento de Mário Mesquita, um dos fundadores do Partido Socialista, professor universitário, jornalista e antigo diretor do jornal Diário de Notícias”, lê-se na nota de pesar divulgada pelos socialistas.

Mário António da Mota Mesquita, segundo o PS, deixou “uma herança profundamente matizada pelo pioneirismo no que toca ao jornalismo, ao seu ensino e à área das Ciências da Comunicação em geral”.

“A sua consciência política foi delineada desde cedo e de forma inequívoca pelos contornos do oposicionismo à ditadura de Salazar, luta a que associou a sua escrita. Iniciou-se no jornalismo ainda antes do 25 de Abril, no jornal República e, em 1973, associou a sua voz ao PS, tornando-se seu membro fundador nesse mesmo ano. Viria a ser deputado à Assembleia Constituinte” refere-se no comunicado dos socialistas.

Para o PS, Mário Mesquita “construiu uma carreira marcada pelo pensamento crítico e livre, que acompanhou sempre a práxis da sua vida política, profissional e académica”.

“A sua passagem pelo Diário de Notícias, como diretor-adjunto, de 1975 a 1978, e depois como seu diretor, de 1978 a 1986, e pelo Diário de Lisboa, de 1989 a 1990, são apenas alguns exemplos da amplitude das suas capacidades e da sua marca. Outro exemplo já indelével na memória de todos é o seu percurso na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa”, aponta o PS.

Também aqui, tal como na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, “foi fundador e pioneiro, tendo contribuído em larga medida para a formação de várias gerações de jornalistas. Foi também fundador do curso superior de jornalismo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra”.

O PS assinala depois que “foram vários os prémios que recebeu ao longo da sua carreira profissional” e que em 1981 o Presidente da República, Ramalho Eanes, agraciou-o com a Ordem do Infante Dom Henrique, tendo-lhe sido igualmente atribuídas condecorações em França (Ordre Nationale du Mérite) e na Bélgica (Ordre Léopold II)”.

Na nota, a direção do PS garante o seu “empenho na perpetuação da grata memória de Mário Mesquita, que o mesmo emprestou, em Portugal, não só à génese do PS, mas também à criação de um jornalismo independente e de uma sociedade justa e democrática”.

 

ERC presta homenagem ao seu vice-diretor, elogiando o seu trabalho 

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), órgão onde trabalhava há mais de quatro anos destacou que a passagem de Mário Mesquita pelo órgão, é assinalada "pelas suas sempre oportunas intervenções" e “permanente empenho no enriquecimento da instituição".

"Foi com profunda tristeza que a ERC tomou conhecimento do falecimento do professor Mário Mesquita, vice-presidente desta instituição, desde dezembro de 2017", salienta o regulador dos media, numa nota de pesar.

"No exercício destas funções, pôde aplicar os seus profundos conhecimentos e experiência na área da Comunicação Social, sendo de grande valor os seus muitos contributos", refere a ERC, adiantando que a sua passagem pelo órgão regulador "fica assinalada pelas suas sempre oportunas intervenções e, também, pelo permanente empenho no enriquecimento da instituição, designadamente através da publicação de trabalhos especializados sobre matérias do maior interesse para a Comunicação Social".

A ERC "presta a sua sentida homenagem ao jornalista, político e académico Mário Mesquita e à família enlutada apresenta os sentidos pêsames", conclui o regulador.

Governo dos Açores lamenta "perda para a cultura portuguesa e jornalismo democrático"

O presidente do Governo Regional dos Açores recebeu esta sexta-feria “em choque” a notícia do falecimento de Mário Mesquita, que considerou uma “perda para a cultura portuguesa e para o jornalismo democrático em Portugal e na Europa”.

“Recebi, em choque, a notícia do falecimento do meu estimado e admirado jornalista açoriano, uma influência na comunicação social portuguesa durante tantos anos. É uma perda para a cultura portuguesa e para o jornalismo democrático em Portugal e na Europa”, lamentou José Manuel Bolieiro, presidente do executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM, em declarações aos jornalistas no Canadá, onde se encontra em visita oficial.

O governante expressou ainda, “em nome da açorianidade”, um “sentimento de pesar e condolências solidárias”.

João Mota Amaral refere que Mário Mesquita "é de grande riqueza para os Açores e não deve ser esquecido"

Também o antigo presidente da Assembleia da República João Bosco Mota Amaral destacou esta sexta-feira que “o legado intelectual, cívico e político de Mário Mesquita é de grande riqueza para os Açores e não pode nem deve ser esquecido”.

“O súbito e inesperado falecimento de Mário Mesquita deixa em choque os seus familiares e amigos próximos e é uma grande perda para os Açores e a sociedade açoriana”, vincou ainda o fundador do PSD e antigo presidente do Governo Regional dos Açores, numa nota escrita enviada à Lusa.

Mota Amaral lembra que Mário Mesquita, nascido em Ponta Delgada, nos Açores, “foi, desde muito novo, uma pessoa de fortes convicções e um lutador por elas”.

“Formado num ambiente de oposição à ditadura do Estado Novo, andou à bulha com a Censura e com a PIDE [polícia política], sinistras instituições encarregadas de zelar pela ortodoxia imposta pelo regime, quando ainda andava no liceu e depois na universidade, já em Lisboa”, descreveu.

O social-democrata recordou ainda o envolvimento de Mário Mesquita na “fundação do Partido Socialista, ainda na clandestinidade”, e o facto de ter sido “o mais jovem jornalista alguma vez chamado a ocupar o cargo de diretor do Diário de Notícias”.

Naquela posição, “Mário Mesquita esmerou-se em defender as Regiões Autónomas dos ferozes ataques contra elas desferidos à época pelas forças centralistas, que identificou, em termos magistrais, como sendo ‘os burocratas, os tecnocratas e os militares’”.

“Afastado da política ativa, Mário Mesquita brilhou como jornalista e académico, com carreira na Universidade, promovendo nela o lançamento de estudos sobre Comunicação Social e fazendo discípulos capazes de continuarem as suas investigações e reflexões, entretanto divulgadas em livros de grande valimento”, assinalou.

Mota Amaral recordou ainda o empenho com que Mário Mesquita “velou, enfrentando fortes incompreensões mesmo dentro dela e ao mais alto nível, pelo maior envolvimento da Fundação Luso-Americana com as questões açorianas, durante o seu mandato como administrador […] donde surgiram os colóquios realizados em várias das nossas ilhas sob a invocação do presidente Franklin Roosevelt”.

“À sua filha e demais familiares e amigos, endereço, profundamente consternado eu próprio, as minhas sinceras condolências”, escreveu.

SPA recorda Mário Mesquita como “combatente pela Democracia e liberdade de informação”

A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) lamentou a morte do jornalista e professor universitário, que classificou de “homem de convicções” e “combatente rigoroso pela Democracia e pela liberdade de informação”.

Em comunicado, a SPA manifestou pesar pela morte de Mário Mesquita, “beneficiário da SPA desde janeiro de 1991 e seu cooperador desde outubro de 2002”. Mário Mesquita foi vice-presidente da mesa da assembleia geral da SPA, quando o compositor José Niza presidia àquele órgão, e, em 2017, recebeu a Medalha de Honra da SPA.

“A SPA, que sempre se honrou de ter Mário Mesquita entre os seus cooperadores, recorda-o como um dos jornalistas e intelectuais mais ativos do Portugal democrático e testemunha à sua família o seu pesar solidário, sabendo que a sua perda a todos empobrece por ser um homem de convicções e um combatente rigoroso pela democracia e pela liberdade de informação”, lê-se no comunicado.

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