Ministro pede desculpa aos portugueses que têm tido dificuldades na mudança para o mercado regulado

19 set, 09:52

Ministro do Ambiente e da Ação Climática admite ainda que "há riscos" relacionados com o gás natural, mesmo apesar de o país não ser dependente da Rússia

O ministro do Ambiente e da Ação Climática pediu esta segunda-feira desculpa aos portugueses que têm tido dificuldades na transição para o mercado regulado do gás, processo autorizado excecionalmente pelo Governo para ajudar as famílias. 

“Estamos num momento inicial, em que dependemos das lojas físicas dos comercializadores do mercado regulado e não temos soluções online”, lamenta, salientando que obrigou esses operadores a criar essas soluções para “facilitar a vida às famílias”. O ministro apelou ainda aos comercializadores para “reforçarem o seu atendimento”. “Ninguém ganha em dificultar o acesso das famílias ao mercado regulado. Lamentamos este transtorno e estamos a procurar evitar que, deste transtorno, surjam abusos ou aproveitamentos”, disse, em entrevista na CNN Portugal Summit.

Duarte Cordeiro afirma também que os preços no mercado do gás podem vir a subir no futuro, e que os riscos existem mesmo que Portugal não seja dependente da Rússia, como acontece com outros Estados-membros da União Europeia. No entanto, garantiu que os riscos são "ligeiramente mais calculados" ou atenuados com as políticas adotadas pelo Governo.

"Temos de ser honestos e frontais. De hoje para amanhã podemos ter um problema, como não ser fornecido o volume de gás previsto", disse, quando questionado sobre a maior dependência portuguesa em relação ao gás que chega da Nigéria.

Duarte Cordeiro diz que “Portugal tem-se preparado, como toda a Europa, para aquilo que será um inverno difícil no contexto que todos conhecemos", optando para esse fim “aumentar a capacidade de energia renovável em Portugal”, uma estratégia “já em curso”, que permite reforçar a “capacidade de resistência a este tipo de alterações” e ter “preços mais baixos”.

"Somos um país com uma percentagem de produção de renováveis muito elevada quando comparado com o resto da Europa. Temos objetivos ambiciosos, queremos chegar aos 80% de produção de energia renovável até 2030. Estou convencido que, ao ritmo a que estamos a trabalhar e com as medidas que estamos a tomar, chegaremos aos 80% até ao final deste mandato, em 2026”, vaticinou.

O ministro referiu também que Portugal está a “diversificar os fornecedores” para “aumentar a segurança energética do país”, a procurar “ser solidário” ao adotar “estratégias de redução de consumo de gás”, e a “intervir no mercado” e “apoiar as famílias e empresas” para “responder às pessoas” afetadas pelo aumento dos preços.

Sobre a decisão de encerrar as centrais a carvão, o ministro garante que tomaria a mesma decisão caso soubesse o que sabe hoje. “Essa decisão não é só muito importante do ponto de vista ambiental, e não foi só tomada pelo Governo como também pelas empresas”, diz, salientando que optou por outras soluções para salvaguardar a segurança energética do país no contexto atual, por oposição à reativação destas centrais. “Continuamos convencidos que não temos de voltar atrás em decisões como a que foi tomada. Só este ano estamos a aumentar a capacidade solar no nosso país em 50%”, afirma.

Duarte Cordeiro considera, acerca das medidas mais duras adotadas por alguns países europeus, que “não podemos entrar no registo de tentar ser o campeão das medidas mais agressivas para a economia ou para as famílias, temos de procurar medidas que sejam proporcionais e produzam efeitos. Se tivermos cuidado, não precisamos de ser austeros simplesmente porque desejamos de ser austeros ou para ser solidários com a Europa, temos é de ser eficazes, que é algo que muitas vezes não somos”.

Economia

Mais Economia

Patrocinados