Ministro da Saúde acusa farmacêuticos de provocarem adiamento de tratamentos oncológicos

Agência Lusa , AM
26 out, 11:57
Manuel Pizarro (TIAGO PETINGA/LUSA)

Sindicato rejeita críticas e garante que todos os pedidos recebidos pelas farmácias hospitalares tiveram resposta

O ministro da Saúde acusou esta quarta-feira os farmacêuticos de, com a greve, terem provocado o adiamento do arranque de tratamentos oncológicos, uma situação que estes profissionais rejeitam, garantindo que todos os pedidos nas farmácias hospitalares foram respondidos.

Em declarações à Lusa, Manuel Pizarro apelou ao “compromisso ético dos farmacêuticos” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando que "os doentes oncológicos não podem ser usados num processo de luta laboral, seja qual for esse processo e a sua legitimidade”.

Contactado pela Lusa, Henrique Reguengo, presidente do Sindicato Nacional dos Farmacêuticos, que convocou uma greve dos farmacêuticos do SNS em curso, disse estar a recolher informação sobre eventuais adiamentos de início de tratamentos, garantindo que todos os pedidos recebidos pelas farmácias hospitalares tiveram resposta.

Acrescentou ainda que, a ter acontecido, o adiamento foi uma decisão dos médicos ou da direção clínica dos hospitais.

O responsável disse ainda não ver problema nos adiamentos, se tiverem acontecido em situações em que o tratamento poderia arrancar dois ou três dias depois sem consequências para a saúde do doente.

Em declarações à Lusa, Manuel Pizarro pediu desculpas aos doentes que terão visto o início do tratamento adiado, considerando que estão “já fragilizadas pela doença”.

“Naturalmente, lamento profundamente que alguns doentes oncológicos tenham visto adiado o início do seu tratamento em função da greve dos farmacêuticos. E, enquanto ministro da Saúde, eu peço desculpa a essas pessoas, que, já fragilizadas pela doença, acabam por se sentir inevitavelmente mais inseguras nestas circunstâncias. Essas pessoas têm a minha total solidariedade”, afirmou.

"Não está em causa o direito" à greve

Manuel Pizarro sublinhou que “não está em causa o direito que os farmacêuticos têm de defender aquilo que são os seus direitos laborais e, em última instância, de fazer greve”, mas defendeu que “esse direito não se pode sobrepor ao dever ético de tratar pessoas com uma doença grave que estão numa situação muito vulnerável”.

Os farmacêuticos do SNS cumprem hoje o segundo dia de greve, uma paralisação que se repetirá nos dias 15 e 16 de novembro, pela revisão e atualização das grelhas salariais e contagem integral do tempo de serviço no SNS para a progressão na carreira.

Além da valorização profissional e da contagem integral do tempo de serviço no SNS para efeitos de promoção e progressão na careira, o sindicato exige também a vinculação efetiva dos farmacêuticos a exercer no Serviço Nacional de Saúde (SNS) com contratos precários e a adequação do número de profissionais às reais necessidades e complexidade das atividades desenvolvidas.

Questionado pela Lusa sobre se a equipa ministerial estaria disponível para responder a algumas destas reivindicações, Manuel Pizarro respondeu: “Em relação aos farmacêuticos e em relação a todos os profissionais, nós estamos absolutamente disponíveis para negociar, o que não me parece razoável, como princípio de negociação, é a realização de uma greve, quando é sabido por todos, e também seguramente pelos farmacêuticos, que esta equipa ministerial tomou posse a escassas há escassas semanas”, afirmou.

O governante sublinhou que “não está em causa a utilização do direito à greve”, mas insistiu: “acho que é difícil encontrar razoabilidade numa forma de luta que põe em causa os doentes mais vulneráveis, que são os grandes oncológicos”.

“Repito, insisto no meu apelo ao compromisso ético dos farmacêuticos do SNS”, acrescentou.

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