Produto com canábis receitado a menos de 20 doentes. Médicos hesitam na hora de passar estas receitas em Portugal

3 mai, 08:21
Canábis (Getty Images)

Apesar da venda destes preparações e substâncias à base da planta de canábis para fins medicinais estar autorizada desde 2019, apenas 548 embalagens foram vendidas num ano

O único produto à base de canábis autorizado em Portugal não está a chegar aos doentes, uma vez que os médicos resistem a passar receita médica, avança o Jornal de Notícias esta terça-feira.

Desde abril do ano passado, na altura que chegou às prateleiras, foram vendidas 548 embalagens da preparação à base de canábis, que pode ser utilizada pelos doentes entre três a seis vezes por mês. O que significa que menos de 20 pacientes poderão estar a utilizar este produto medicinal.

O produto em causa é a flor seca da canábis, vendida em embalagens de 15 gramas, com um grau de THC de 18% (a substância psicoativa que se encontra na planta da canábis), com cada unidade a ser vendida por 150 euros.

O fármaco em causa pertence à empresa Tilray, uma empresa canadiana nascida em 2013, que produz canábis medicinal e vários produtos farmacêuticos para poder “proporcionar a um número cada vez maior de pacientes uma melhor qualidade de vida”, segundo a informação disponível no site da farmacêutica.

Em declarações ao JN, a empresa sublinha que “não é expectável que as terapêuticas à base da planta da canábis para fins medicinais sejam prescritas a milhares de doentes a nível nacional”, uma vez que estes produtos não são uma primeira opção na altura de prescrever um tratamento.

A empresa diz que as dificuldades no acesso à prescrição podem ser, em parte, justificadas por um “desconhecimento normal pelo facto de os canabinoides não fazerem parte do arsenal terapêutico dos profissionais de sáude, até muito recentemente”, de acordo com o diretor global de assuntos globais da Tilray Medical, José Tempero.

A autorização para a venda de preparações e substâncias à base da planta de canábis para fins medicinais é de 2019 e, segundo o Infarmed, estão em curso dois pedidos de autorização de colocação no mercado (ACM) deste tipo de produtos.

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