“Só este fim de semana, várias maternidades não recebiam grávidas”. Sindicato reage a demissão de Temido, que “vivia numa realidade diferente”

30 ago, 04:25
Crise no SNS: ouvida de urgência no Parlamento, Marta Temido culpa queda do Governo e pandemia

Jorge Roque da Cunha, presidente do Sindicato Independente dos Médicos, reage a demissão de Marta Temido.

A demissão da ministra da saúde parece ter apanhado os médicos de surpresa. Aliás, há poucos dias, na última sexta-feira, Marta Temido tinha assinado finalmente com dois sindicatos médicos o documento que define o protocolo negocial que tinham acordado em julho sobre assuntos como a grelha salarial dos profissionais. Esta segunda-feira, e algumas horas depois de a TVI/CNN ter noticiado a história de uma grávida que não teve lugar no Hospital de Santa Maria e acabaria por morrer quando ia a caminho do Hospital de São Francisco Xavier, a ministra apresentou a demissão.

A decisão “tem naturalmente a ver com as circunstâncias que ultimamente temos vindo a assistir e que mostravam que a ministra da Saúde vivia numa realidade diferente quando dizia que não havia falta de médicos”, diz à CNN Portugal Jorge Paulo Roque da Cunha presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), lembrando que “até a Direção-geral de Saúde (DGS) fez um alerta sobre a falta de recursos humanos”.

Segundo o médico, este alerta da DGS “veio tornar evidente o que toda a gente sabe e está a ver:  há 1,5 milhões de pessoas sem médico de família, as listas de espera para cirurgia e consultas aumentaram, as dívidas aos fornecedores cresceram e não são dadas condições aos médicos”.

De acordo com o líder do SIM, a falta de médicos tem deixado – e mantido - o SNS em rutura. “Este fim de semana, por exemplo, havia várias maternidade e serviços de obstetrícia em contingência que não recebiam grávidas, como o Santa Maria, a Maternidade Alfredo da Costa, [os hospitais de] Setúbal, Almada e Beatriz Ângelo”.

A ministra, diz ainda Roque da Cunha, não estava a conseguir manter os médicos, nem a conquistar novos. “Das cerca de 1400 vagas que foram abertas, 50% ficaram por preencher”, exemplifica. E sublinha que dois fatores estavam a ser ignorados pela governante: “Em Portugal há uma iniciativa privada pujante, por um lado; por outro, a qualidade dos médicos portugueses é cada vez mais reconhecida no estrangeiro”.  Mas a situação no Estado tem vindo a degradar-se.

“Na última legislatura, a ministra nunca nos recebeu sequer”, afirma. A somar a todos estes problemas, Roque da Cunha considera que a ministra “nunca conseguiu impor-se ao ministro das Finanças”, o que a impedia de fazer o que era preciso para garantir que o SNS funciona.

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