Como navegar entre os tarifários indexados da luz? Conheça algumas dicas

ECO - Parceiro CNN Portugal , Ana Batalha Oliveira
26 jan, 08:10
Eletricidade

Os tarifários que variam consoante o preço a que é eletricidade é vendida pelos produtores aos comercializadores são uma novidade recente, nem sempre fácil de entender. Simplifique, com algumas dicas.

Os tarifários da luz mais baratos, em 2024, continuam a ser os indexados. No entanto, os consumidores não estão tão familiarizados com este tipo de oferta, cujos preços mudam consoante o preço a que a eletricidade é vendida aos comercializadores, em vez de se fixar um valor que se mantém o ano inteiro. Saiba ao que deve estar atento se considerar aderir a um destes tarifários.

Os tarifários indexados são apenas mais um tipo de ofertas da luz entre as muitas que estão disponíveis. Atualmente, já existem mais de 100 tarifários deste tipo, sendo que o primeiro só foi lançado em 2018. Entretanto ganharam popularidade porque, num contexto de preços crescentes da eletricidade, conseguiram afirmar-se como a opção mais barata e até chegaram a devolver dinheiro aos clientes em vez de cobrar.

No entanto, nada garante que esta seja a melhor oferta para si, agora e a todo o momento. Dependerá de fatores como o seu consumo e disponibilidade para estar atento às oscilações, assim como, claro, das próprias oscilações do preço de mercado da eletricidade e, em última instância, de como evoluam as ofertas mais tradicionais.

primeiro passo é fazer uma simulação, com o máximo de detalhe sobre o seu consumo, por exemplo no site do regulador. Só assim saberá se algum tarifário indexado é, de facto, a melhor opção para o seu caso, em termos do preço a pagar. Se chegar à conclusão que sim, então faz sentido informar-se nas próximas perguntas sobre como melhor tirar partido do mesmo.

Como não ser surpreendido por aumentos abruptos?

Os preços dos tarifários indexados oscilam. E, para não existirem surpresas desagradáveis, como subidas abruptas no preço que está a pagar, convém estar atento ao que faz mexer estes preços.

Primeiro, é então preciso entender: o que faz oscilar os preços dos tarifários indexados? Geralmente, variam consoante o preço médio mensal a que a eletricidade é vendida no mercado diário. E este está disponível na plataforma do OMIE, a entidade que opera os mercados (diários e intradiários) para toda a Península Ibérica.

O site do OMIE é a principal plataforma que os consumidores devem ter em conta para acompanhar tudo aquilo que diz respeito ao tarifário indexado, onde poderão acompanhar todas as oscilações que o mercado irá ditar ao longo dos tempos – com um período de avanço de 24 horas”, explica André Pedro, diretor do Comparajá.

Como é que posso retirar partido das horas mais baratas do dia?

Embora muitos tarifários indexados variem os seus preços mensalmente, com base no preço médio mensal do mercado, há alguns que podem ser mais sofisticados e que, desde que o consumidor possua um contador inteligente, podem cobrar consoante o preço que o mercado marcava na hora em que o cliente usou a eletricidade. Pedro Silva, especialista na área de energia da Deco Proteste, indica que, a partir de abril de 2024, se prevê que estas ofertas sejam difundidas no setor doméstico, já que vai passar a ser obrigatório que comercializadores com volume de clientes acima de 200.000 apresentem este tipo de ofertas.

Caso tenha contador inteligente e opte por um destes tarifários mais sofisticados, pode consultar na plataforma do OMIE o preço da eletricidade vendida para cada hora. O preço é atualizado de hora a hora. No entanto, pode ter acesso no dia anterior aos preços para o dia seguinte e planear assim os seus consumos com antecedência.

“Se souber qual a hora a que o preço está mais baixo e se conseguirmos mudar consumos para essa hora, então estamos a poupar dinheiro“, resume a Coopérnico, uma das empresas que oferece tarifários indexados. Exemplos de consumos que pode valer a pena concentrar nas horas mais baratas são o carregamento de um veículo elétrico ou o pôr a funcionar a máquina de lavar a roupa.

A Coopérnico também recomenda o acompanhamento dos preços a partir do site do OMIE ou da aplicação móvel (app), mas alerta que, em ambos os casos, a hora apresentada é a espanhola, pelo que para sabermos o valor do preço em Portugal temos de descontar uma hora.

Faz sentido definir alertas de preços? Como?

“Faz todo o sentido o consumidor definir um alerta para quando o preço no mercado indexado se torne superior ao menor preço praticado no mercado livre”, considera o diretor do Comparajá. De momento, “este trabalho ainda é muito manual, mas acreditamos que num futuro próximo o consumidor tenha acesso a plataformas que o ajudem a monitorizar este mercado de forma constante”, indica a mesma fonte.

Na ausência de um alerta automático, há alguns intervalos que a Deco Proteste sugere como referência para ter em conta. “No atual contexto, preços no mercado grossista sustentadamente acima ou próximos de 100 euros por megawatt-hora (MWh) são um sinal de alarme para quem opte por um tarifário indexado“, aponta Pedro Silva, enquanto “abaixo dos 80 euros por MWh o ganho poderá ser significativo”. Já se o preço médio estabilizar perto dos 90 euros por MWh, então a diferença para tarifas fixas tende a esbater-se, ou seja, os preços indexados não deverão apresentar diferenças relevantes face aos fixos.

“Claro que tudo isto são balizas gerais que, para consumos mais elevados devem ser analisadas com maior acuidade pois o risco/benefício estará exponenciado“, ressalva o especialista.

E além de acompanhar os preços, a que mais posso estar atento?

Outros indicadores que pode ter em conta são os períodos de mais forte procura de eletricidade, como é o caso dos meses mais rigorosos do inverno, que podem levar a uma pressão em alta dos preços no mercado da eletricidade e, consequentemente, nos tarifários a eles indexados. Períodos de seca também podem pressionar os preços no mercado, pois pode afetar a capacidade de produzir eletricidade a partir das barragens. Pelo contrário, no verão será de esperar que alivie a pressão. Assim, deve estar atento e verificar como é que o mercado de eletricidade está a comportar-se nestas situações, aconselha a Deco Proteste.

Em paralelo ao normal funcionamento do mercado, existem os chamados “cisnes negros“, alerta ainda Pedro Silva, que são “eventos imprevisíveis, mas de grande impacto”. Ora, como o próprio recorda, estes têm sido frequentes nos últimos anos. São exemplos de cisnes negros a pandemia de covid-19 ou conflitos geopolíticos como a guerra na Ucrânia.

Como posso saber se tenho um contador inteligente?

Para um consumidor saber se tem um contador inteligente, o qual lhe vai permitir usufruir de tarifários cujo preço varie de hora a hora, deve inscrever-se no Balcão Digital da E-Redes. A E-Redes é o operador de distribuição de eletricidade em Portugal, logo é comum a todas as comercializadoras. Caso o contador tenha sido trocado nos últimos dois anos será, à partida, um contador inteligente, indica a Comparajá.

Além dos preços, a que outros aspetos devem os consumidores ter atenção quando escolhem um tarifário indexado?

Sendo o comportamento do mercado imprevisível, convém certificar-se de que não existem cláusulas de fidelização para que possa mudar de tarifário ou comercializador sempre que desejar. O período de fidelização nos contratos com consumidores, caso exista, não pode ser superior a 12 meses, sublinha a Deco Proteste.

Quantas vezes posso mudar de tarifário num ano?

Com tanta incerteza quanto à evolução destes tarifários, é natural que se pergunte se é fácil mudar. “Os consumidores têm o direito a mudar de comercializador, não havendo quaisquer encargos associados nem qualquer número máximo de mudanças estabelecido“, esclarece o especialista da Deco Proteste.

No entanto, continua a mesma fonte, conte com os prazos administrativos associados a uma mudança de comercializador. A mudança deve ficar concluída até três semanas depois de fazer novo contrato.

Caso tenha aceitado um contrato com fidelização, contudo, pode ter de pagar uma penalização pela rescisão antecipada.

Economia

Mais Economia

Patrocinados