Morreu Linda Kasabian, membro da família Manson que ajudou à condenação do líder da seita

1 mar 2023, 11:15
Linda Kasabian (Associated Press)

Kasabian acompanhou a "família Manson" nos crimes e testemunhou contra Charles Manson e outros membros da seita no julgamento que levou à sua condenação. Morreu em janeiro, aos 83 anos

Linda Kasabian, membro do culto liderado por Charles Manson e que ajudou à sua condenação, morreu no dia 21 de janeiro, aos 83 anos, segundo o Tacoma News Tribune, citado pelo The Guardian.

De acordo com o certificado de óbito a que o jornal local teve acesso, a causa da morte de Kasabian, cujo nome foi alterado para "Chiochios" para proteger a sua identidade, não foi divulgada.

Em 1969, Charles Manson assassinou a atriz Sharon Tate, mulher do realizador Roman Polanski, quando esta estava grávida de oito meses. Kasabian, na altura com 20 anos, participou no crime, tendo ficado de vigia enquanto o mesmo acontecia numa casa alugada em Los Angeles. Além de Sharon Tate, que estava grávida de oito meses e foi esfaqueada mais de 15 vezes, foi assassinado também Jay Sebring, um cabeleireiro famoso de Hollywood e ex-namorado desta.

Abigail Folger, a herdeira da marca de café com o mesmo nome, foi morta com 28 facadas. O seu namorado, Wojciech Frykowski, e amigo de Roman Polanski, foi a vítima mais maltratada: levou 51 facadas e dois tiros. Foi morto ainda Steven Parent, um jovem de 18 anos que estava no local errado, à hora errada.

Na noite seguinte, Kasabian acompanhou a "família Manson" a casa de um casal rico: Rosemary e Leno LaBianca, que acabariam assassinados com muita violência. No total, ambos foram mortos com 169 facadas e sete tiros.

Mais tarde, descobriram-se outros dois homicídios relacionados com esta seita: o de Gary Hinman (músico, que terá sido morto numa disputa que envolvia dinheiro e drogas) e Donald Shea (que trabalhava na quinta onde a seita se instalou). 

Os homicídios desencadearam o pânico entre os residentes e chocaram a opinião pública mundial. Em troca de proteção e imunidade, Linda Kasabian viria a testemunhar contra a família Manson em tribunal, levando à condenação de Charles Manson e quatro dos seus seguidores no julgamento de 1970. Manson foi condenado à morte, mas a pena foi comutada em prisão perpétua em 1976. Cumpriu pena até 2017, ano em que morreu por complicações causadas pelo cancro do cólon.

Em 2009, o principal procurador no caso contra Manson, Vincent Bugliosi, afirmou, em entrevista a Larry King, que Linda Kasabian foi a testemunha mais importante para conseguir condenar a família Manson. 

"Se alguma vez houve uma testemunha fulcral para a acusação, foi Linda Kasabian. Sem o seu testemunho... teria sido extremamente difícil para mim condenar Manson e os seus co-arguidos", afirmou o procurador.

E.U.A.

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