Boavista-Santa Clara, 2-1 (crónica)

Vítor Hugo Alvarenga , Estádio do Bessa, no Porto
14 ago, 17:36
Boavista-Santa Clara (RUI MANUEL FARINHA/LUSA)

Sonho de uma tarde de verão para o jovem Martim

Martim Tavares, 18 anos, ex-júnior do Boavista. Neste domingo, na estreia na Liga portuguesa, precisou de apenas três minutos em campo para selar a reviravolta axadrezada na receção ao Santa Clara, na 2.ª jornada da competição (2-1). Rildo adiantou a equipa dos Açores na primeira parte, Yusupha anulou a desvantagem e o jovem avançado português, vindo do banco de suplentes, garantiu a cambalhota no marcador.

Petit ainda está privado dos reforços já garantidos para a presente temporada, uma vez que a inscrição das novas panteras ainda não está regulariza, na sequência de uma dívida a Adil Rami. Como tal, o treinador apostou no onze que venceu o Portimonense na ronda inaugural e voltou a preencher o banco de suplentes com jovens. Martim Tavares foi um deles.

Mário Silva, por outro lado, não perdeu tempo com a integração dos novos elementos. Sem poder contar com o castigado Ricardinho, expulso no empate com o Casa Pia, o técnico lançou Bruno Almeida, anunciado como reforço na quarta-feira, e trocou Gabriel Silva por Rildo, oficializado no dia anterior.

FICHA DE JOGO E AS NOTAS ATRIBUÍDAS AOS JOGADORES

Magia de Rildo na estreia em Portugal

Rildo, extremo brasileiro de 22 anos, formado no São Paulo e no Grémio de Porto Alegre, chegou com a moral em alta após um bom período de empréstimo ao Bahia e marcou um golaço na estreia no campeonato português, cinco dias após a sua contratação.

Ao minuto 34, depois de uma oportunidade perdida por Gorré, o extremo de Santa Clara ganhou na esquerda a Reggie Cannon (muito macio o norte-americano no lance), passou com mestria entre Abascal e novamente Cannon na área, fintou Bracali e finalizou de pé esquerdo, já de ângulo apertado. Um momento delicioso.

Se Rildo Filho teve uma estreia de sonho, o outro reforço do Santa Clara lançado por Mário Silva não guardará boas memórias deste encontro. Bruno Almeida, médio que se destacou no Trofense, foi expulso com dupla cartolina amarela, abandonando o terreno de jogo ao 51.º minuto.

O Boavista tinha assumido o controlo territorial na primeira parte e sofreu o golo em contra-ataque, já após ter desperdiçado um par de boas oportunidades. Gorré, por exemplo, atirou ao lado no lance anterior ao 1-0. Com a superioridade numérica, os axadrezados acentuaram naturalmente a pressão.

OS DESTAQUES DO BOAVISTA-SANTA CLARA (2-1)

Cambalhota para o sonho de Martim Tavares

Petit teve de confiar nos homens que transitaram da época passada e seriam eles a dar a volta ao resultado em apenas quatro minutos. Pouco depois da hora de jogo, Hamache cruzou no flanco esquerdo e Yusupha, em antecipação a Tassano, desviou para o fundo da baliza do Santa Clara.

O treinador do Boavista já tinha uma substituição planeada e apostou num jovem avançado, recrutado aos juniores do FC Porto em 2021. Martim Tavares trocou os dragões pelas panteras com o sonho de chegar aos principais palcos do futebol português e foi feliz.

Aos 18 anos, após uma segunda época de júnior já no clube axadrezado, o jovem estreou-se na Liga e marcou ao terceiro minuto em campo! Após cruzamento na direita de Pedro Malheiro, Martim Tavares surgiu nas costas de Boateng ao segundo poste e cabeceou sem hipóteses para Marco Pereira.

Explosão de alegria no Estádio do Bessa, emoção declarada no profundo festejo de Martim, que guardará este dia para sempre na sua memória. O mais belo dia da ainda curta carreira do avançado terminou com uma reviravolta justa do Boavista, perante um Santa Clara que, em inferioridade numérica, nunca mais conseguiu regressar verdadeiramente à discussão do jogo. Já ao cair do pano, Tassano ainda viu o segundo amarelo e Yusupha falhou o respetivo castigo máximo, acertando no ferro (90+4m)

A equipa de Petit, com enorme mérito e ainda sem reforços, garantiu a segunda vitória em igual número de jornadas. Já Mário Silva, no reencontro com o amigo de infância do Bairro do Bom Pastor, não foi feliz na cidade do Porto. Duas rondas, apenas um ponto para a formação dos Açores.

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