LE: FC Porto-Lyon, 0-1 (crónica)

Sérgio Pires , Estádio do Dragão, no Porto
9 mar, 19:56
FC Porto-Lyon

Dragão sem fôlego quase ganhou vida no último suspiro

Um dragão com alguma arte, mas sem fôlego, perdeu esta tarde com o Lyon, por 1-0, e tem uma montanha para escalar dentro de uma semana, ali bem perto dos Alpes, para virar o avesso estes oitavos de final da Liga Europa.

Antes de tudo, o final. Porque foi aí que o líder da Liga Portuguesa quase ganhou vida num último suspiro, com Mbemba a marcar, mas o então golo do empate a ser invalidado aos 95m por fora de jogo.

Puxando o filme atrás, numa tarde de temporal, o FC Porto entrou com a roupagem dos últimos tempos: um 4-3-3 que Conceição tem testado, com Taremi a descair sobre a esquerda e Pepê na outra ala no apoio a Evanilson. Já o Lyon apresentava-se num 4-4-2 com o artista Lucas Paquetá a deambular nas costas de Dembélé ou por vezes a subir para fazer pressão na saída de bola portista.

O Lyon mostrava mais disponibilidade física no meio-campo e mais profundidade nas transições. Com Ndombélé e Dembélé ao meio e na frente, respetivamente, como esteios do futebol possante da equipa de Peter Bosz.

O futebol mais rendilhado dos dragões, com Vitinha, Otávio e Uribe a meio-campo foi chegando não mais do que para equilibrar as contas com um adversário que apresentou para lá de tudo maior frescura física. Teve mais 48 horas de descanso e isso notou-se.

Ainda assim, o equilíbrio ao intervalo era evidente: 51%-49% em posse de bola, 7-7 em remates – 50%-50% e 15-11 no final do jogo – a acompanhar dois redondos zeros no marcador.

A segunda parte trouxe duas novidades. Desde logo, a estreia de Rúben Semedo, que entrou para render Pepe, fisicamente condicionado.

Além disso, Conceição abdicou do 4-3-3 para apostar num 4-4-2, com Taremi a deixar de estar descaído sobre a esquerda para se juntar a Evanilson, recuando Pepê para uma linha de quatro no setor intermédio.

Ofensivamente o Lyon não perdeu vitalidade, ao contrário do FC Porto, cada vez mais em esforço e com vários jogadores em quebra física.

O resto foi com o VAR. À hora de jogo, que à passagem da hora de jogo validou o golo ao Lyon e cinco minutos depois reverteu uma grande penalidade por mão na bola.

Em ambos os casos, o mesmo protagonista: Lucas Paquetá. Antes do castigo revertido, o internacional brasileiro atirou para o 1-0 ao disparar cruzado na área após combinação de Ekambi e Dembélé.

Em desvantagem, Conceição lançou Toni Martínez, Galeno e Fábio Vieira: perder em casa não é opção quando objetivo é chegar aos quartos da Liga Europa.

Vieira ainda tentou sacar um coelho da cartola, numa combinação cheia de souplesse aos 83m, que terminou com um remate sobre a barra. Logo a seguir, Toni Martínez cavalgou sobre a esquerda e serviu Galeno para uma finalização a rasar o poste.

Entraram bem os suplentes. Ainda assim, um Lyon mais retraído segurou a vantagem. E quando foi preciso estava lá o internacional português Anthony Lopes seguríssimo na baliza.

Com os golos fora a já não servirem de critério de desempate, e mesmo sem Otávio (castigado), seria demasiado fatalista considerar que a eliminatória não pode ser virada em França.

Será, porém, preciso uma grande noite europeia do FC Porto. E capacidade física, que a profundidade qualitativa do plantel poderia dar numa altura destas da época em que a equipa está envolvida em mais duas frentes internas.

Será esta uma boa altura para recordar as palavras de Conceição, no final do mercado de um inverno em que perdeu Luis Díaz, já depois de ter ficado sem Sérgio Oliveira e Corona.

«Os objetivos têm de ser reformulados», disse então, no que foi entendido como uma forma de apontar baterias para a reconquista da Liga Portuguesa.

O que era um alerta bem pode tornar-se numa profecia.

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