Fabio Capello: «Mourinho foi o último estrangeiro a ter sucesso em Itália»

9 mai, 12:16
Fabio Capello (Photo by Patricia J. Garcinuno/Getty Images for Laureus)

Experiente treinador defende que o Milan devia apostar num treinador italiano com experiência, numa altura em que os jornais italianos apontam os nomes de Sérgio Conceição e Paulo Fonseca como possíveis sucessores de Stefano Pioli

Fabio Capello, antigo treinador do Milan, manifestou-se contra a contratação de um treinador estrangeiro, numa altura em que a imprensa italiana aponta os nomes de Sérgio Conceição e Paulo Fonseca como possíveis sucessores de Stefano Pioli na próxima época. O experiente treinador, para reforçar a sua posição, diz ainda que o último treinador estrangeiro a ter sucesso na Série A foi José Mourinho, quando comandou o Inter Milão de 2008 a 2010.

O antigo selecionador italiano considera inconcebível que treinadores experientes, como Antonio Conte e Maurizio Sarri, estejam sem clube, ou que outros, como Maximiano Allegri, sejam constantemente questionados.

«Os treinadores italianos vencedores são pouco procurados. Hoje-em-dia fala-se muito de estrangeiros e de jovens técnicos em ascensão, como De Rossi [Roma], Gilardino [Génova] ou Palladino [Monza]. A ideia dos dirigentes é provavelmente ir à procura de algo novo, diferente, mas também barato. Produtos em segunda mão são menos populares», destaca o treinador de 77 anos em declarações à Gazzetta dello Sport.

Quanto aos treinadores estrangeiros, Capello considera que apenas no passado tiveram sucesso. «Quem é que veio de fora para triunfar em Itália? Liedholm, Boskov e Eriksson são alguns exemplos, mas com muitos anos. Desde 2000 apenas Mourinho conseguiu e isso tem de querer dizer alguma coisa. Olhamos à nossa volta e vemos o Thiago Motta [Bolonha] em casa, preparado para as grandes equipas», destacou.

No caso específico do Milan, confirmada a saída de Stefano Pioli no final da época, Capello faz uma análise ao possível sucessor. «Depende do que o clube quer, da ideia que tem e do tipo de futebol que quer ver em campo. Falámos de experiência, mas também é preciso coragem. Se o Berlusconi não a tivesse, o Milan de Sacchi, Capello ou de Ancelotti podia nunca ter existido», comentou.

A fechar, Capello, que orientou o Milan nas décadas de oitenta e noventa do século passado, avançou com uma sugestão. «Há jovens treinadores a fazer um bom trabalho. O De Zerbi [Brighton] é apadrinhado pelo Guardiola, já tinha estado bem no Sassuolo, agora está a passar por um pouco mais de dificuldades. Ganhou a Supertaça na Ucrânia, pode-se dizer que é um italiano com experiência. E hoje dia, para se treinar o Milan ou a Juventus, é preciso saber muitas coisas», referiu ainda.

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