5 regras para investir em tempo de crise

8 nov, 07:30
Em 2021, a remuneração bruta mensal média aumentou 3,4% para 1.362 euros, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). O aumento de 20% pedido pelo governo elevaria o salário médio mensal bruto para 1.633 euros em 2026 (Pixabay)

Não colocar os ovos no mesmo cesto não é mais um cliché de circunstância. É o primeiro passo para fintar os períodos mais conturbados dos mercados, como aquele que se vive atualmente nas bolsas

A lei da gravidade é uma das regras básicas dos mercados financeiros: tudo o que sobe também desce. E quanto maior a subida… maior a queda. É isso que acontece em períodos de bolhas especulativas, como aquele que se viveu no início do milénio com a euforia em redor das empresas tecnológicas, mas também em períodos como o que estamos a viver atualmente, com os mercados a viverem uma “ressaca” de um longo bull market e, principalmente, fortemente pressionados por uma guerra na Europa e por uma política monetária dos bancos centrais bastante agressiva.

Para a maioria dos investidores, 2022 tem sido um ano de muitos nervos e de muitas perdas. Porém, é também nestes períodos que se vislumbram grandes oportunidades de negócio, particularmente para alavancar uma estratégia de investimento orientada para o longo prazo. Mas, para isso, é crucial ter a cabeça fria e ser disciplinado na hora de investir as poupanças.

  1. Fundo de emergência para salvaguardar situações de sufoco
    Tal como na construção de uma casa, o princípio da elaboração de um portefólio começa pela base. Antes de se aventurar pelos investimentos em bolsa é fundamental constituir um “pé-de-meia” confortável para que, em caso de emergência, não seja obrigado a correr ao mercado para vender ações, obrigações ou outros ativos de maior volatilidade para obter a liquidez necessária. Procure constituir uma rede de segurança no valor de 6 a 12 vezes as despesas fixas do agregado familiar, que deverá representar cerca de 10% do portefólio de investimento. Mais do que procurar um produto que lhe ofereça rentabilidade, o importante na alocação do capital do fundo de emergência é que seja um “porto de abrigo” que lhe confira garantia do capital e liquidez imediata. Um depósito a prazo, por pouco que pague, é o caminho mais fácil.
     
  2. Não colocar todos os ovos no mesmo cesto
    Harry Markowitz, um dos premiados com o Nobel da Economia em 1990, provou que através da diversificação é possível reduzir o risco de uma carteira de investimentos. Isto significa que um portefólio com diferentes ativos é menos arriscado do que uma carteira constituída por apenas um ativo. Os pequenos investidores podem assim seguir o princípio da maximização da diversificação do portefólio pela porta dos fundos de investimento ou dos fundos cotados, também conhecidos como exchange-traded funds (ETF) e complementar a estratégia com outros ativos mais líquidos e menos voláteis, como depósitos a prazo ou Certificados de Aforro. Mas não caia na tentação de comprar tudo o que encontra no mercado. A virtude de um portefólio perfeito está na simplicidade. Uma carteira composta somente por um fundo de ações mundiais que replique um índice (e por isso com uma taxa de encargos globais baixo), como é o caso do Fidelity MSCI World Index Fund P Acc EUR, e por Certificados de Aforro pode muito bem ser uma solução vencedora.
     
  3. Ser disciplinado na hora de investir na bolsa
    O principal propósito de investir nos mercados acionistas passa por atingir um determinado objetivo e não de criar uma úlcera no estômago. Este objetivo poderá ser conseguido por via de um plano de investimento programado com base em reforços das posições abertas. Desta forma, o bolo irá crescendo à medida que as perdas momentâneas vão também sendo colmatadas com os reforços programados, que poderão ser numa base mensal, trimestral, semestral ou outra. O importante é que os reforços sejam regulares e disciplinados. Para equilibrar o plano de investimento, poderá inclusive ser feito um ajuste anual do montante dos reforços com base na taxa de inflação, por exemplo, de forma a corrigir a perda de poder de compra pela subida generalizada dos preços.
     
  4. Investir para o longo prazo sem esquecer o curto prazo
    Se o cão é o melhor amigo do Homem, o tempo é o mais fiel companheiro das carteiras de investimento porque tem a capacidade de diluir o risco à medida que os anos vão passando. Ser paciente é uma virtude, sobretudo no que se refere ao momento atual das bolsas. Isto não quer dizer que deva desligar-se completamente do dia-a-dia dos mercados porque há notícias que podem deitar tudo a perder ou a ganhar da noite para o dia. Não vale a pena é ter insónias à conta de opções de investimento. Por isso, preocupe-se antes em fazer o trabalho de casa antes de tomar qualquer decisão de investimento e depois basta manter-se atento às movimentações do mercado, mas sem que isso coloque em causa a sua saúde e o seu bem-estar.
     
  5. Saber vender é tão importante como saber comprar
    Segundo uma das máximas de Warren Buffett, o ideal é manter uma ação para sempre. Porém, são poucas as empresas que merecem esse estatuto. Por isso, saber qual o momento mais apropriado para vender é tão importante quanto o momento da compra. Não venda uma ação, por exemplo, apenas porque o seu preço simplesmente subiu ou desceu. Estabeleça antes um ou vários critérios para tomar essa decisão. Por exemplo: os dados fundamentais da empresa deterioraram-se, as ações que tem em carteira valorizaram para um valor bem acima do seu valor intrínseco, as perspetivas do negócio da empresa para os próximos três anos vão ser piores do que era esperado, o mercado oferece melhores alternativas? E por vezes, após esta reflexão é preciso assumir perdas. Nessas alturas, não se culpabilize em demasia. O importante não é acertar sempre no cavalo mais rápido, desde logo porque isso não é possível. Não há bolas de cristal capazes de prever o futuro. O importante é conseguir mitigar as perdas e deixar potenciar os cavalos mais fortes.  

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