Cascas de camarão para fazer produtos sustentáveis? Parece que sim

Agência Lusa , BMA
5 jan, 12:55
Cientistas encontram cocaína, pesticidas e medicamentos em camarões

Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto vão usar os resíduos das cascas para produzir aminas a serem usadas na produção de fármacos, plásticos e detergentes

Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) vão usar os resíduos das cascas de camarão que geralmente vão para aterro para produzir aminas a serem usadas na produção de fármacos, plásticos e detergentes, foi esta quarta-feira anunciado.

Em comunicado, a FCUP revela esta quarta-feira que o projeto, liderado por investigadores do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE), quer usar as cascas de camarão para obter “produtos sustentáveis”.

Citada no documento, a investigadora responsável pelo projeto esclarece que as cascas de camarão são “ricas em azoto” e uma “excelente oportunidade para obter vários tipos de aminas de uma forma sustentável”.

As aminas, compostos químicos derivados do amoníaco, são atualmente produzidas na indústria “a partir de petróleo”, observa Andreia Peixoto.

Querendo utilizar “apenas métodos sustentáveis”, os investigadores têm a decorrer vários processos de extração e conversão de um dos constituintes das cascas (a quitina) em aminas bioderivadas nos laboratórios do Departamento de Química e Bioquímica da FCUP.

“No entanto, há um destes processos em que se querem debruçar para o processamento das cascas de camarão”, observa a faculdade.

Nesse processo, as cascas são colocadas em água pressurizada a uma temperatura de cerca de 250 graus Celsius, resultando um extrato e um resíduo sólido que, após tratamentos térmicos, pode ser usado como catalisador “que vai acelerar reações químicas para a transformação sustentável da quitina e derivados em aminas”.

“Pretende-se criar as condições necessárias para se desenvolver uma refinaria que usa cascas de camarão em vez de petróleo”, adianta a investigadora.

O projeto, intitulado Shell4bioA e com uma duração de 18 meses, tem como lema “não desperdiçar”, mas “reutilizar e valorizar”, aproveitando uma matéria-prima que seria desperdiçada e evitando o recurso a combustíveis fosseis.

Além dos investigadores do LAQV-REQUIMTE, o projeto conta com a colaboração de especialistas do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL).

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