O inverno do mundo

13 dez 2023, 17:55

A recandidatura de Putin, as divisões nos Estados Unidos e na União Europeia, e a Ucrânia esquecida

Emperrada a contraofensiva que arrancou sem todos os meios para convencer o Ocidente a manter apoios colossais, organizadas eleições nas quatro regiões ucranianas anexadas mas só parcialmente controladas pela Rússia, reacendido o conflito entre Israel e Hamas que desviou as atenções dos Estados Unidos, bloqueado o último pacote de armamento no Congresso americano, mergulhados os combates noutra carnificina diária em Avdiivka, Vladimir Putin desfez o segredo mais mal-guardado de todos: será recandidato nas proto-presidenciais do próximo ano.

Empossado pelo caos geopolítico e por uma América emaranhada no barril de pólvora do Médio Oriente e nas habituais quezílias bipartidárias, assim se abrem as fendas no inverno do mundo. É nelas que reaparece Putin em público visitando países onde a jurisdição do mandado de captura internacional não alcança e é assim que avança para mais um mandato facilitado pelas alterações constitucionais que ele próprio arquitectou ao longo de décadas no poder, pelo menos por mais seis anos, até 2030, o que o levará a ultrapassar a longevidade de Estaline.

Geladas as expectativas da Ucrânia em Washington com um prémio de consolação saído das reservas americanas, também na frente europeia se abrem fendas, com os mesmos de sempre a ameaçar vetos, a minoria a decidir novamente pela maioria. Assim reaparece igualmente a Hungria, em mais uma mostra de pretensa neutralidade (mas pro-Kremlin) e em mais um bloqueio à integração europeia da Ucrânia e aos apoios prometidos pelos aliados, em troca dos seus próprios apoios congelados por violação dos tratados.

Abertas as fendas no inverno do mundo, com Putin prestes a congelar a “operação militar especial”, como fez antes na Geórgia e depois no Donbass, custe o que custar, mesmo que à custa de centenas de mortos por dia em Avdiivka, Volodymyr Zelensky volta a correr o mapa todo para pedir ao mundo que não deixe a Ucrânia ao frio. Mais uma vez.

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