O retrato de um país cada vez mais envelhecido, solitário e instruído: Censos 2021, resultados provisórios

16 dez 2021, 20:30
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Há 182 idosos por cada 100 jovens. Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa foram as únicas regiões onde se registou um crescimento da população entre 2011 e 2021

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Portugal tem cada vez menos jovens e mais idosos, o interior do país está cada vez mais solitário e há cada vez mais pessoas a completarem o ensino superior e a viverem sozinhas. É este o retrato do país, de acordo com os resultados provisórios dos Censos 2021, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A data inicialmente prevista para a divulgação dos resultados era 28 de fevereiro do próximo ano, mas a "elevada adesão da população" e a "eficácia do sistema de tratamento e validação dos dados" permitiu a antecipação dos dados provisórios, justificou o instituto no documento disponibilizado esta quinta-feira.

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De acordo com os resultados provisórios dos Censos 2021, nos últimos dez anos o número de residentes em Portugal reduziu-se em 217.376 pessoas, para cerca de 10,3 milhões, um decréscimo de 2,1%. O Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa foram as únicas regiões onde se registou um crescimento da população entre 2011 e 2021. De resto, a diminuição da população foi generalizada, com destaque para o Alentejo e Região Autónoma da Madeira, onde este decréscimo foi mais evidente (-6,9% e -6,4% respetivamente).

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Além do decréscimo populacional, é de salientar, noutra perspetiva, as diferenças entre o volume da população masculina e feminina - Portugal tem cerca de 5,4 milhões de mulheres e 4,9 milhões de homens. Esta tendência só não se verifica nos grupos etários dos 0 aos 14 anos e dos 15 aos 24, onde o número de homens é superior ao de mulheres.

Os números divulgados pelo INE revelam ainda que, à data da realização dos Censos 2021, 5,4% do total da população residente em Portugal era de nacionalidade estrangeira, um número superior aos 3,7% registados há dez anos. Destes, 81,4% são nacionais de um país não pertencente à União Europeia. 

População está cada vez mais envelhecida - há 182 idosos por cada 100 jovens

Na última década, a população com idade igual ou superior a 65 anos, registou um crescimento de 20,6%, ao contrário do que aconteceu nos restantes grupos etários, sobretudo o das crianças até aos 14 anos, que registou a diminuição mais significativa (-15,3%). A população em idade ativa (15-24) diminuiu -5,1%, enquanto a população entre os 25 e os 64 anos reduziu -5,7%. 

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De acordo com o INE, “o envelhecimento demográfico continuou a acentuar-se de forma muito expressiva”, salientando-se, assim, os “desequilíbrios” já evidenciados entre 2001 e 2011”. Esta tendência reflete-se no índice de envelhecimento da população, que compara a população com 65 e mais anos com a população dos 0 aos 14, e que revela que, atualmente, existem 182 idosos por cada 100 jovens. Em 2011, este índice era de 128, ou seja, existiam 128 idosos por cada 100 jovens e em 2001 estava nos 102.

Litoral e Lisboa com maior concentração populacional

Os dados divulgados pelo INE evidenciam a tendência da “litoralização” do país, um fenómeno que se tem vindo a registar nas últimas décadas, com uma maior concentração populacional no litoral, sobretudo em torno de Lisboa e no Algarve, em detrimento do interior. 

O instituto refere mesmo que “cerca de 50% da população residente em Portugal concentra-se em apenas 31 municípios, localizados maioritariamente na Área Metropolitana de Lisboa e na Área Metropolitana do Porto”.

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Número de divorciados aumentou nos últimos 10 anos

De acordo com os resultados dos Censos 2021, a população residente em Portugal é maioritariamente solteira (43,4%), enquanto a população com estado civil casado corresponde a 41,1% - sendo que os homens têm uma maior representatividade no estado civil solteiro (46,8%) em comparação com as mulheres (40,2%).

Na última década, o número de divórcios registou uma tendência de crescimento, aumentando dois pontos percentuais em relação a 2011 (0,6% en 2011 face a 0,8% em 2021).

População com ensino superior aumentou quase 10% nos últimos 20 anos

De acordo com o INE, o nível de escolaridade da população residente em Portugal tem vindo a aumentar “significativamente” nos últimos anos, com o reforço da população com ensino superior e com o ensino secundário e pós-secundário. Os dados indicam que 17,4% do total da população completou o ensino superior, um valor superior ao registado em 2011 (11,8%) e 2001 (7,2%). Da mesma forma, a percentagem da população com ensino secundário e pós secundário aumentou de 14,2% em 2011 para 21,3% em 2021.

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Por outro lado, a percentagem de população sem nenhum nível de ensino completo é de 13,7%. Do total da população residente em Portugal, 21,4% completou o ensino básico, 10,7% da população fez o segundo ciclo, e  15,5% completou o terceiro ciclo.

Os dados demonstram ainda que a maioria (60%) das pessoas com ensino superior completo são mulheres, sendo que esta predominância do sexo feminino verifica-se também na população sem nenhum nível de ensino (54,5%).

Há cada vez mais pessoas a viverem sozinhas

Em 2021, a maioria dos agregados domésticos privados é composta por duas pessoas (33,3%), uma tendência que já evidenciada em 2011. Por outro lado, a percentagem de agregados compostos por apenas uma pessoa aumentaram cerca de 18,6% na última década, representando atualmente 24,8% do total. Já os agregados de maior dimensão, com quatro e cinco pessoas, têm vindo a diminuir. Em 2021, 14,7% dos agregados são compostos por quatro pessoas, um valor inferior aos 16,6% registados em 2011. Já os agregados com cinco pessoas têm um peso de apenas 5,6%, contrastando com os 6,5% registados na última década.

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