Sinais de uma economia portuguesa a abrandar acumulam-se

18 nov, 13:00
População em rua do Porto (Getty Images)

PIB em volume português desacelera em Portugal e nas principais economias da Zona Euro. Tendência de abrandamento da economia verifica-se também nos EUA e no Reino Unido, avança o INE

Os indicadores de curto prazo (ICP) de setembro do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam na direção de uma desaceleração da economia portuguesa, em termos de produção. As conclusões partem de um conjunto de indicadores que constam na Síntese Económica de Conjuntura, um relatório divulgado esta sexta-feira pelo gabinete estatístico.

Segundo estes dados, o volume do PIB na Zona Euro avançou 2,1% no terceiro trimestre do ano, face a igual período do ano anterior, contra 0,2% em cadeia. Já em Portugal, o PIB em volume teve um crescimento de 4,9% no terceiro trimestre de 2022, face a igual período de 2021, o que representa uma desaceleração face aos 7,4% registados no trimestre anterior.

Comparativamente com o segundo trimestre de 2022, o PIB português avançou 0,4% em volume no terceiro trimestre, ou 0,3 pontos percentuais face ao trimestre anterior.

Segundo nota do INE, este conjunto de indicadores que reflete a evolução da economia “desacelerou significativamente em setembro, após ter acelerado em agosto, retomando o perfil de abrandamento registado entre março e julho e registando a taxa mais baixa desde março de 2021.”

O gabinete estatístico português destaca ainda os indicadores referentes à produção da indústria transformadora, cujo índice de preços aumentou 21,6% em outubro face a igual mês de 2021. No entanto, este aumento desacelerou pelo terceiro mês consecutivo, após ter sido registado o crescimento mais acentuado em julho (25,9%).

Se for excluída a componente energética, a componente que mais tem subido nos últimos tempos, o índice de preços na produção da indústria transformadora aumentou 14,7% face a outubro de 2021.

Também o índice relativo aos bens de consumo seguiu esta tendência e continuou a acelerar, tendo passado de um crescimento homólogo de 15,3%, em setembro, para 15,7% em outubro.

Já o Índice de Preços no Consumidor (IPC), ou a inflação, acelerou para 10,1% em outubro, a taxa mais elevada desde maio de 1992. Já no que toca ao emprego, a taxa de desemprego fixou-se em 5,8% no terceiro trimestre deste ano, o que representa um aumento de 0,1 pontos percentuais face ao trimestre anterior (6,1% no período homólogo).

O INE salienta ainda que, embora a média da remuneração bruta mensal tenha aumentado 4% no terceiro trimestre, em termos reais e consoante a inflação, a remuneração caiu 4,7%.

Produto Interno Bruto em volume
Fonte: INE

A economia lá fora

Segundo as estimativas do Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia (UE), o abrandamento no crescimento do PIB em volume também foi sentido nas principais economias da UE.

Comparativamente a 2021, o PIB em volume no terceiro trimestre deste ano foi de 3,8% em Espanha, 2,6% em Itália, 1,1% na Alemanha e 1,0% em França; no segundo trimestre de 2022 este crescimento foi, respetivamente, de 6,8% em Espanha, 4,9% em Itália, 1,7% na Alemanha e 4,2% em França.

Também nos EUA a evolução segue a mesma tendência, com o PIB a crescer 1,8% no terceiro trimestre, e 0,6% em cadeia, após uma contração nos dois trimestres anteriores. Já no Reino Unido o PIB aumentou menos 2,4% face a 2021, menos 2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

Também o indicador de sentimento económico da Zona Euro, o medidor de confiança das empresas e consumidores, voltou a diminuir em outubro, embora de forma menos intensa em relação ao mês anterior.

A contribuir para esta queda esteve, em grande parte, o agravamento dos níveis de confiança nos serviços, e em menor grau na indústria. Por sua vez, o nível de confiança foi compensado parcialmente pelos aumentos na confiança dos consumidores, construção e no comércio a retalho.

Indicadores qualitativos na Zona Euro
Fonte: INE

 

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