Incêndios. Federação dos Bombeiros do Porto alerta que plano de contingência "carece de apoios"

Agência Lusa , FMC
12 jul, 21:26
Portugal em risco máximo de incêndio (Paulo Cunha/Lusa)

Um dos erros apontados pelo presidente da Federação foi a atribuição de apenas um autotanque ao distrito do Porto, distrito "com maior número de ignições" do país

O plano de combate aos incêndios florestais associado à situação de contingência decretada “carece de apoios e medidas mitigadoras”, revelou esta terça-feira à Lusa o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto (FBDP), José Morais.

O dirigente apontou também aos erros nos apoios previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), nomeadamente ao ter atribuído apenas um autotanque ao distrito do país “de longe, com maior número de ignições”.

“Sei de associações que, há meio ano, gastavam mensalmente em combustível entre 4.500 e cinco mil euros e que agora despendem mais de 10 mil euros para a mesma quantidade de combustível”, relatou o dirigente da federação, enfatizando que “sendo esta a parte mais visível do problema, a verdade é que existe em toda a componente logística das operações, pois o pessoal tem de estar alimentado e pré-posicionado, o que aumenta a despesa com a energia”.

E prosseguiu: “a própria Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil não tem cumprido a tempo com as suas obrigações. Exemplo disso é o dispositivo, os elementos florestais que prestaram serviço em junho, e esta terça-feria, a 12 de julho, ainda não receberam as comparticipações por parte da Autoridade”.

“Isto é algo que pode desmotivar as forças”, alertou José Morais para logo depois assinalar que “as guerras ganham-se com os militares motivados e altamente empenhados”.

Manifestando a esperança de que “a situação possa ser revertida porque é excessivamente fragilizadora para as associações humanitárias”, o responsável sugeriu a criação de “um mecanismo de apoio instituído pelo poder central olhando para a atual circunstância”.

José Morais criticou depois os critérios da atribuição do PRR, mencionando que “às associações humanitárias do distrito do Porto apenas foi atribuído um veículo, um autotanque, para Amarante”, facto que classificou de “incompreensível”.

“O distrito do Porto é, no país, o que tem o maior número de ignições, mas de forma exponencial. Questionamos os critérios na atribuição dos meios. Estamos descontentes. Foi errado, mas cá estamos cumprir a nossa missão, sendo certo que 65% dos veículos dos bombeiros do distrito do Porto estão fora do período de vida útil. Isto significa que os meios estão a ficar obsoletos. As associações humanitárias não têm capacidade financeira pois os veículos de combate as incêndios florestais custam entre 250 mil e 300 mil euros”, acrescentou.

E prosseguiu: “acresce a isto, para os equipamentos de proteção individual, o PRR aponta para valores que são completamente díspares em relação à intervenção dos bombeiros por comparação com outras forças, em que há um investimento muito mais visível”.

José Morais, alude, neste particular, ao facto de serem “essencialmente bombeiros” que despendem o esforço no combate aos fogos florestais, uma proporção que, depois, não se traduz de igual modo nos apoios distribuídos pelo Estado.

“Foram investidos seis milhões de euros para os bombeiros e três milhões para a GNR. Pergunto se é possível comparar os meios efetivos de combate a incêndios dos bombeiros para a GNR?”, disse.

“Com o devido respeito, mérito e valor que a GNR tem e com quem temos um excelente relacionamento. Isso não está em causa, mas sim os critérios que o Estado usa para fazer esta diferenciação e que no nosso entender é negativa”, acrescentou José Morais, concluindo existir “um desinvestimento latente na área dos bombeiros”.

Devido às previsões meteorológicas dos próximos dias que apontam para o agravamento do risco de incêndios rurais, Portugal continental entrou esta terça-feira à meia-noite em situação de contingência.

A declaração da situação de contingência começou às 00:00 desta terça-feira e deverá terminar às 23:59 de sexta-feira, mas, como já indicou o Ministério da Administração Interna (MAI), poderá “ser prolongada caso seja necessário” e “não exclui a adoção de outras medidas que possam resultar da permanente monitorização da situação”.

De acordo com comunicado do MAI, de domingo, a declaração da situação de contingência implica “o imediato acionamento de todos os planos de emergência e proteção civil nos diferentes níveis territoriais”, a passagem ao estado de alerta especial de nível vermelho, do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), para todos os distritos, com mobilização de todos os meios disponíveis, e “o reforço do dispositivo dos corpos de bombeiros com a contratualização de até 100 novas equipas, mediante a disponibilidade dos corpos de bombeiros”.

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