Igreja Católica deve ser “totalmente humana” e incluir todos, diz representante do Vaticano

Agência Lusa , DCT
13 abr, 08:17
Igreja, mãos, terço, crucifixo, religião, fé. Foto: AP Photo/Jessie Wardarski

Para o representante do Papa Francisco em Timor-Leste, “não é tanto a igreja, é a cultura local” que é conservadora.

O representante do Vaticano em Timor-Leste, Marco Sprizzi, afirmou hoje que a Igreja Católica deve ser “totalmente humana” e incluir todos, independentemente das questões do género.

Questionado pela Lusa sobre o facto de o discurso da Igreja Católica em Timor-Leste ser ainda bastante conservador, monsenhor Marco Sprizzi explicou que a “mensagem”, com mais de dois mil anos, não pode mudar.

“Temos de a conservar e não podemos esquecer a razão do nosso ser. Essa é a coisa principal e temos de ser conservadores. Ao mesmo tempo Jesus é totalmente humano e a igreja deve ser totalmente humana e ser humano significa ser próximo e tentar sempre compreender mais e aproximar-se de todas as condições humanas”, disse em entrevista à Lusa, no âmbito da visita do Papa a Timor-Leste.

“Nada é estranho, nada é fora do amor da igreja, do conhecimento, da aproximação, da compaixão e da admiração que temos pelo ser humano”, salientou.

Mais concretamente, monsenhor Marco Sprizzi lembrou que em relação às questões do género, como a homossexualidade, da comunidade LGBT+, o Papa Francisco afirmou sempre que a “igreja não pode fechar as portas, não pode excluir ninguém, o julgamento pertence principalmente a Deus e quem quer ser acolhido não pode ser expulso”.

“Também a igreja em Timor deve seguir isto, mas às vezes a cultura impede ou adia esta adaptação no sentido da inclusão. Muitas vezes, ouvi, da parte de timorenses, dizer que a cultura não permite isto. Eles não gostam de coisas impostas pelo estrangeiro, como se fosse um preço a pagar para ser moderno”, afirmou Marco Sprizzi.

Para o representante do Papa Francisco em Timor-Leste, “não é tanto a igreja, é a cultura local” que é conservadora.

“Às vezes vejo um pouco ao contrário, a igreja puxa para ser mais inclusiva e a cultura, a história e a mentalidade comum é que param”, que criam o obstáculo, disse, salientando que o processo deve “ser feito com delicadeza, paciência, suavemente”.

Em relação à igualdade do género, por exemplo, Marco Sprizzi destacou que, em Timor-Leste, há mais mulheres no parlamento e ministras do que em países como Portugal ou Itália.

“Há uma grande força das mulheres, que vem também no papel que tiveram na guerrilha, na luta pela independência, mas, ao mesmo tempo, no âmbito familiar há machismo, violência psicológica ou física contra mulheres”, disse.

Marco Sprizzi explicou que no ano passado na missa do lava-pés lavou os pés a 12 mulheres, a primeira vez que foi feito em Timor-Leste, em “sinal de respeito pela promoção da importância e da dignidade das mulheres”.

“São sinais. Eu vejo muitas mulheres nas igrejas a ter um grande papel, mas temos de fazer mais nas paróquias, no território, para que dentro das famílias sejam superadas estas coisas do passado e haja inclusão para homossexuais, lésbicas, qualquer que seja a orientação sexual, [para] não haver discriminação e violência contra ninguém, mas amor para todos e grande e profundo respeito e promoção da contribuição única que a mulher dá em todos os âmbitos da vida humana e da sociedade”, afirmou.

O Vaticano anunciou sexta-feira que o Papa Francisco vai estar em Timor-Leste entre 09 e 11 de setembro.

A visita do Papa Francisco ocorre no âmbito de um périplo que vai fazer à região e incluiu também a Indonésia, que visita entre 03 e 06 de setembro, a Papua Nova Guiné, de 06 a 09, e Singapura, de 11 a 13 de setembro.

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