IGCP coloca 1.500 milhões em dívida a 6 e 12 meses a juros mais altos

Agência Lusa , FCT
18 mai, 11:13
Dinheiro (Getty Images)

"Ss subidas dos prémios de risco a que se têm assistido nas últimas semanas tanto na dívida soberana como na dívida das empresas são fruto das condicionantes atuais e que muita pressão tem colocado sobre os bancos centrais", comenta o diretor de investimentos do Banco Carregosa

Portugal colocou esta quarta-feira 1.500 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT), montante mínimo indicativo, a seis e a 12 meses, a juros mais altos nos dois prazos e no mais longo com taxa já positiva.

Segundo a página da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) na agência Bloomberg, em BT com maturidade em 19 de maio de 2023 (12 meses) foram colocados 875 milhões de euros à taxa de juro média de 0,236%, superior à de -0,467%, registada em 16 de março, quando foram colocados 1.250 milhões de euros.

A procura de BT a 12 meses atingiu 1.440 milhões de euros, 1,65 vezes o montante colocado.

No prazo mais curto, de seis meses, foram colocados esta quarta-feira 625 milhões de euros à taxa de juro média de -0,179%, superior à de -0,571% verificada também em 16 de março, quando foram colocados 500 milhões de euros em BT com a mesma maturidade.

A procura cifrou-se em 1.450 milhões de euros, 2,32 vezes o montante colocado.

O IGCP tinha anunciado a realização de dois leilões de BT a seis e a 12 meses, com um montante indicativo global entre 1.500 e 1.750 milhões de euros.

Comentando os resultados dos leilões desta quarta-feira, o diretor de investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva, considerou que "as subidas dos prémios de risco a que se têm assistido nas últimas semanas tanto na dívida soberana como na dívida das empresas são fruto das condicionantes atuais e que muita pressão tem colocado sobre os bancos centrais".

"O conflito na Ucrânia veio prolongar e até agravar o tema da inflação, que continua sem dar grandes tréguas", sublinhou Filipe Silva, recordando que "a China impôs novos confinamentos, o que não permite a normalização das cadeias de abastecimento e os bancos centrais depois de anunciarem a retirada de estímulos, iniciaram um ciclo de subida de taxas".

Filipe Silva afirmou ainda que "com uma presença menos ativa do Banco Central Europeu do lado comprador, era expetável que as taxas subissem", sublinhando que "o ritmo a que tudo está a acontecer é que está a ser mais rápido do que se esperava, e quando tal acontece, o mercado ajusta fortemente até atingir novo ponto de equilíbrio".

"A era das taxas negativas parece estar a chegar ao fim, o que não é necessariamente negativo", sublinhou, acrescentando que "Portugal precisa de gerir de uma forma mais cautelosa, o novo custo que começa a ter para a sua dívida, para que tal não se torne outra vez num problema a prazo".

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