Como os ingleses estão a ver o sucesso de Marco Silva no Fulham

22 jan, 09:34
Marco Silva

Treinador português lidera a equipa que tem mais golos marcados num campeonato profissional europeu e está a caminho de garantir a subida à Liga Inglesa, mas no país ainda há quem ache que o desafio será outro.

O Fulham anda nas bocas de toda a gente. A equipa lidera a II Liga Inglesa, com cinco pontos de vantagem sobre o Bournemouth, e marcou 19 golos nos últimos três jogos: há várias décadas que uma formação não fazia seis golos ou mais em três jornadas consecutivas.

Ora os números apontam para um mérito total de Marco Silva, neste regresso a Inglaterra.

Afinal, ninguém nas ligas profissionais dos cinco grandes países (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França) tem uma diferença tão grande entre golos marcados e sofridos.

Com 70 golos marcados em 26 jogos e apenas 23 sofridos, o Fulham apresenta um saldo positivo de 47 golos, o que bate gigantes como o Bayern Munique (43 golos), o Manchester City (41 golos), o Liverpool (37 golos), o Inter Milão (35 golos) e o Chelsea (28 golos).

O Fulham é, aliás, a equipa de um campeonato profissional de toda a Europa com mais golos marcados nesse mesmo campeonato: 70. O que bate a marca de 61 golos do Bayern Munique, de 59 do Ajax, de 55 do Liverpool e do Sheriff e de 54 do Manchester City.

Perante estes números verdadeiramente impressionantes, o Maisfutebol foi ouvir o que se diz em Inglaterra de Marco Silva. O português saiu com a imagem um pouco beliscada depois do último trabalho no Everton, pelo que importava saber como está agora essa imagem.

Para isso ouviu cinco jornalistas ingleses e pediu-lhes que avaliassem com uma nota de 0 a 10 o trabalho do treinador. O resultado final é um muito favorável 8,5, o que significa que Marco Silva está a impressionar a exigente imprensa inglesa.

No entanto, é preciso dizer que a maior parte considera que o Fulham tem muito mais qualidade do que as outras equipas da II Liga e que o verdadeiro teste para o treinador português vai ser lutar pela permanência na Liga Inglesa no próximo ano.

Vamos então às opiniões.

Peter Rutzler
The Athletic

Nota 9

«Tem sido uma revelação para os adeptos do Fulham. Quando foi contratado no verão ficou a sensação de que ele ainda tinha alguma coisa a provar. Depois do que fez no Everton, havia algum ceticismo. Mas a forma como o Fulham tem jogado é fantástica. Claro que a equipa é sempre uma forte candidata à subida e toda a gente no clube, do dono aos adeptos, quer a subida. Vários jogadores já somam duas subidas, por isso não há dúvidas que tem um plantel forte. Mas a forma como têm jogado, sobretudo no aspeto ofensivo, é maravilhosa. A estrela é o Mitrovic, que o ano passado não esteve bem com o Scott Parker, mas que renovou e está a jogar um futebol fantástico, não só a fazer golos, mas também a ligar o jogo da equipa. Houve uma fase em que o Fulham não esteve tão bem, sobretudo no jogo com o Coventry, mas é a equipa que dá mais animação à II Liga. Tem feito muitos golos, tem jogado um futebol ofensivo e há muito entusiasmo em torno do Fulham. O Marco Silva teve um grande impacto nos jogadores e está a retirar o melhor de cada um. Não é o mais carismático dos treinadores, não dá grandes títulos aos jornalistas, é muito discreto, mas isso era o que o Fulham precisava: de alguém que fizesse o seu trabalho e afastasse a equipa das polémicas. Com o tempo temos assistido a um crescimento coletivo da equipa.»

Ben Fisher
The Guardian

Nota 8

«Honestamente, acho que o Marco Silva colocou o Fulham a jogar no nível em que provavelmente devia estar, mas a verdade é que o tem feito também com uma arrogância e um estilo que encanta os donos e os adeptos do clube. Basta olhar para os últimos três resultados, em que marcaram 19 golos. Marco Silva deixou um toque de classe na primeira passagem por Inglaterra, com o Hull City, e é justo dizer que esse brilho está presente também neste Fulham, que certamente vai subir à Liga Inglesa. Mitrovic tem sido prolífico, já fez 30 golos em 31 jogos pelo clube e seleção, e Marco Silva tem mérito nisso, por ter conseguido revitalizar com sucesso o avançado, tornando-o o ponto focal da equipa, após uma temporada difícil para ele, na qual fez poucos golos e desceu de divisão com o Scott Parker. Pessoalmente não estou surpreendido com o sucesso de Marco Silva. Acho que ele, de facto, tinha alguma coisa a provar após o que aconteceu no Everton, mas o Everton é uma fonte de problemas, como até treinadores com grande nome como Carlo Ancelotti e Rafa Benitez mostraram, e isso talvez ajude a explicar as dificuldades que ele teve por lá. No entanto, acho que outra coisa que não a subida automática do Fulham este ano, sem passar pelos play-offs, teria de ser vista como um fracasso.»

Adam Gumbley
Jornalista freelance

Nota 8,5

«A equipa marcou mais uma vez seis golos e muita gente está a falar do Fulham, do Marco Silva. Acho que foi a primeira vez em noventa e tal anos que uma equipa marca seis golos em três jogos consecutivos. Muita gente fala também do sucesso que tem tido em projetar jogares, por exemplo do Fábio Carvalho, que até é inglês. Agora ele tem de mostrar o sucesso na Liga Inglesa. É curioso que o Everton está a procurar um treinador e ele nem é dos favoritos, fala-se muito mais de Lampard ou Rooney. Acho que isso só tem uma explicação: ele já teve algumas oportunidades e, sobretudo no Everton, não correspondeu completamente. Mas a verdade é que o Everton também não é um clube fácil. Viu-se agora com o Benítez. Ele está a fazer realmente um trabalho fantástico, a qualidade de jogo é muito boa, há sempre muitos golos e são jogos que as pessoas gostam de ver. Os próprios adeptos do Fulham estavam um bocado desconfiados, mas agora estão completamente rendidos e têm grande confiança de que vão subir. Acho que ele precisa disso, precisa de regressar à Liga Inglesa para mostrar que está mais experiente e pode fazer melhor.»

Paul Warburton
West London Sport

Nota 8

«Marco Silva é muitas vezes questionado sobre a passagem mal sucedida pelo Everton e tenta sempre fugir a essa questão. Acho que no Everton teve muita, muita pressão. No Fulham, por outro lado, teve uma base para trabalhar, que foi o sucesso de há dois anos. Por isso não estou surpreendido com o sucesso dele. O Fulham tem muito boa equipa. Olhem para o Mitrovic, por exemplo. Na Liga Inglesa tem muitas dificuldades, porque não é um jogador rápido, mas na II Liga Inglesa vai marcar sempre muitos golos. Há dois anos marcou 26, esta época já leva 27 e vai fazer muitos mais. É um jogador muito forte e que beneficia da velocidade que a equipa tem nos corredores. Por isso não acho que seja surpreendente, mas Marco Silva tem muito mérito no que está a fazer. O Fulham perdeu vários jogadores no final da última época e ele aproveitou para contratar atletas com a qualidade certa: estou a pensar sobretudo em Harry Wilson, que tem tido uma influência marcante, sobretudo pela velocidade na ala. Teve alguns jogos menos bem conseguidos, mas 19 golos em três jogos é fantástico. As equipas da II Liga devem estar assustadas. Acho que, nesta altura, só há uma coisa que pode impedir o clube de voltar à Liga: lesões graves em dois ou três jogadores-chave.»

Adam Shergold
Daily Mail

Nota 9

«O futebol inglês sabe que Marco Silva é um bom treinador e já se esperava que ele fizesse um bom trabalho no Fulham. Afinal de contas, tem o melhor plantel da II Liga e teve dinheiro para gastar. O que aconteceu no Everton foi também porque houve várias coisas que correram contra ele: não é um trabalho fácil, o clube está sempre a mudar de treinador e muito dinheiro foi gasto em jogadores que não serviam. A verdade é que agora o trabalho de Marco Silva no Fulham tem sido impressionante e tudo aponta para que a equipa não só regresse à Liga Inglesa, mas também para que o possa fazer quebrando vários recordes pelo caminho. O Fulham tem muita qualidade nos jogadores mais ofensivos e um compromisso total com o futebol de ataque. A equipa está bem montada para permitir que Mitrovic marque o maior número de vezes possível, como é habitual ele fazer na II Liga. Depois têm excelentes criativos como Harry Wilson, Tom Cairney, Neeskens Kebano e Fabio Carvalho. Às vezes sofrem golos que não deviam sofrer, mas normalmente isso é compensado porque marcam mais. Acho que o verdadeiro teste vai ser para o ano: se a equipa consegue manter-se na Liga Inglesa. Como o Fulham e também o Norwich descobriram, há uma grande diferença entre a primeira e a segunda divisão aqui em Inglaterra.»

 

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