Recusam cumprimentar outras pessoas ou escorregam no próprio suor: hiperidrose, uma explicação

14 ago, 16:00
Suor (Getty Images)

A hiperidrose é impossível de prevenir e, de acordo com o cirurgião plástico Rui Leitão, afeta mais as mulheres que os homens. É uma condição "relativamente comum"

As glândulas sudoríparas são responsáveis pela produção do suor e é através deste que é possível regular a temperatura do organismo. No entanto, se a produção de suor é abundante e sem razão aparente, estamos perante uma disfunção que chega a ser altamente incapacitante: a hiperidrose. Trata-se de explicações de Rui Leitão, cirurgião plástico na Fisiogaspar.

"Sempre que suamos em excesso e que este suor não tem que ver com a regulação da temperatura corporal (após o exercício físico, por exemplo), estamos perante um caso de hiperidrose." O especialista explica à CNN Portugal que há dois tipos de hiperidrose: a generalizada e a localizada. A generalizada é relativamente rara, a mais frequente é localizada: "Nas axilas, palmar, plantar ou até na cabeça", diz.

A condição tem quatro graus, que distinguem sobretudo o incómodo que os pacientes sentem devido ao suor. O grau menos grave corresponde às pessoas que têm sudação mas não afeta as rotinas diárias versus as pessoas que se recusam até a dar um aperto de mão devido ao excesso de suor. "Pode ser mais ou menos intenso até a pessoa se deixar de relacionar - como é o caso do paciente que não consegue dar um aperto de mão sem molhar as outras pessoas, estraga a roupa, suja o texto onde escreve, escorrega no suor das próprias sandálias", conta Rui Leitão.

O stress e a ansiedade, mas também o calor e a comida picante, não ajudam as pessoas que já têm alguma predisposição para esta condição nervosa e a verdade é que os seus efeitos promovem a exclusão social - o que cria depois um ciclo vicioso.

A hiperidrose é impossível de prevenir e, de acordo com o especialista, afeta mais as mulheres que os homens. É uma condição "relativamente comum, afeta entre 1 a 1,5% da população".

Há vários tipos de terapêutica para esta situação, mas será que são eficazes? O cirurgião plástico explica que a utilização de antiperspirantes à base de sais de alumínio pode diminuir a sudação. No entanto, esta solução necessita de uso prolongado do produto e, quando se deixa de usá-lo, rapidamente passa o efeito.

Rui Leitão adianta que há  aparelhos (iontoforese) que podem ser usados em casa ou em consultório e que têm por base a estimulação elétrica, um tratamento que também necessita de longo período de aplicação para ser eficaz e que deixa de fazer efeito pouco depois de ser interrompido.

O botox é outra opção mas também não é permanente. "É altamente eficaz mas ao fim de três ou quatro meses volta a ser necessário colocar-se mais ou perderá o efeito."

Recentemente surgiram métodos que destroem localmente as glândulas, como a radiofrequência fracionada ou as microondas - com efeito rápido, duradouro, com muito curto período de recuperação e realizada sob anestesia local. "Estes métodos locais vêm trazer uma nova luz para as pessoas", aponta Rui Leitão.

"Para terminar a interrupção dos nervos simpáticos é realizada uma intervenção cirúrgica através de pequenos furos no tórax (toracotomia) e sob anestesia geral. É também muito eficaz e permanente mas tem muitas complicações, nomeadamente a sudação compensatória noutros locais - como costas ou cabeça", explica o clínico, adiantando que esta condição pode tornar-se ainda mais incapacitante que a inicial.

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