Putin diz que adesão da Ucrânia à NATO "tornará o mundo mais vulnerável"

Agência Lusa , MJC
13 jul 2023, 19:35
Vladimir Putin (AP)

Presidente russo insiste que a entrada de Kiev na Aliança é uma ameaça à segurança de Moscovo

O presidente russo Vladimir Putin disse esta quinta-feira que uma futura adesão da Ucrânia à NATO representa uma ameaça para a Rússia e que essa possibilidade foi uma das causas da guerra contra o país vizinho.

“Sobre o ingresso da Ucrânia na NATO, temos afirmado em diversas ocasiões que isso provoca ameaças à segurança da Rússia, é evidente. E, de facto, uma das causas da operação militar especial [designação usada pelo Kremlin para a invasão da Ucrânia em 2022] é a ameaça da entrada da Ucrânia na NATO”, afirmou Putin em declarações à televisão pública russa.

O governante russo manifestou a convicção de que a integração na NATO “não incrementará a segurança da própria Ucrânia, tornará o mundo mais vulnerável e conduzirá a tensões adicionais a nível internacional”. “Por isso não considero existir nada de positivo, as posições são bem conhecidas e foram manifestadas há muito tempo”, acrescentou.

O líder do Kremlin assinalou que Moscovo não se opõe a debater garantias de segurança para a Ucrânia “mas com garantias de segurança obrigatórias para a Rússia”. “Qualquer país tem o direito de garantir a sua segurança, e, claro, está no seu direito de escolher o caminho que considere mais correto para alcançar este objetivo”, indicou.

No entanto, sustentou que “existe uma única limitação, relacionada com o facto de que ao ser garantida segurança a um país não se devem gerar ameaças para outro país”. “Por isso, partimos do entendimento de que este princípio, declarado em diversas ocasiões em diversos documentos internacionais, será tido em conta”, disse.

Putin recordou que o projeto de acordo de abril de 2022 em Istambul para pôr termo à guerra foi “atirado para o lixo pelo regime de Kiev, apesar de nele estarem expressados muito detalhadamente os temas vinculados à segurança da Ucrânia”, país que rejeita ceder os territórios ocupados após a invasão e pretende mesmo recuperar o controlo da península da Crimeia, anexada em 2014 por Moscovo.

“Ainda teríamos de pensar se estaríamos de acordo com tudo o que ali se expressava, mas considero que em termos gerais era um documento aceitável”, indicou, ao assinalar que a Rússia não se opõe ao debate sobre garantias de segurança.

Em paralelo, Putin também ameaçou suspender a participação do país no acordo sobre exportação de cereais através do mar Negro caso não seja respeitada a parte russa do tratado. “Podemos suspender a nossa participação nesse acordo. Se nos disserem que será cumprido tudo o que nos foi prometido, que o façam primeiro e então voltaremos de novo a juntar-nos ao tratado”, assinalou Putin nas declarações à televisão estatal.

O líder do Kremlin insistiu que o prolongamento do acordo permanece dependente do cumprimento das promessas feitas sobre a exportação dos seus alimentos e fertilizantes. “Vamos prolongá-lo apenas no momento em que se cumpram as promessas que nos forem feitas. Ainda faltam uns dias”, assegurou Putin, e quando a permanência do acordo em vigor termina na próxima segunda-feira.

Numa referência à carta do secretário-geral da ONU, António Guterres, enviada esta semana ao líder russo com uma proposta para manter em vigor o acordo, Putin disse que ainda não a viu. “Ainda não vi essa nova carta”, afirmou, para acrescentar que a Rússia permanece em contacto com a ONU sobre esta situação.

Previamente, Guterres propôs um acordo para facilitar as transações financeiras russas em troca do prolongamento da Iniciativa do Mar Negro. Este projeto inclui duas partes, uma para facilitar a saída de cereais ucranianos e outra para fazer o mesmo com os cereais e fertilizantes russos, mas a Rússia tem referido desde o primeiro momento que esta segunda parte nunca foi cumprida.

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