Kiev voltou a ser alvo da fúria russa seis semanas depois (e a Coreia do Norte pode ter dado uma ajuda)

CNN
21 mar, 19:03
Ataque russo a Kiev, 21 de março de 2024 (Vadim Ghirda/AP)

A capital da Ucrânia foi alvo de um forte ataque de mísseis na madrugada de quinta-feira, na primeira ofensiva contra Kiev em seis semanas, poucas horas depois de o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, ter estado a visitar a cidade.

Mais de 25 mil pessoas refugiaram-se nas estações de metro da cidade enquanto decorria o ataque, com vídeos e imagens partilhados nas redes sociais que mostram multidões amontoadas no subsolo, em imagens que fazem lembrar os primeiros dias da guerra.

Segundo as autoridades, a Rússia disparou dois mísseis balísticos e 29 mísseis de cruzeiro contra a região de Kiev - todos eles, garantem os responsáveis ucranianos, foram abatidos. Os testes confirmarão exatamente que tipos de mísseis foram disparados, mas uma declaração da força aérea sugere que é possível que os mísseis balísticos sejam de origem norte-coreana.

Segundo as autoridades, cerca de uma dúzia de pessoas ficaram feridas devido à queda de destroços; não há registo de vítimas mortais.

Valentyna Ivanivna, uma idosa de 80 anos que vive no distrito de Podil, no centro de Kiev, conta à CNN que foi acordada às 05:00 por uma forte explosão que partiu as suas janelas.

"Não sei se foi um míssil ou o que foi, mas agora tenho buracos em vez de janelas. Estou bem, mas a minha cozinha e a sala de estar estão agora sem janelas. Eu estava a dormir no quarto, que fica atrás de outra parede, o que me salvou dos estilhaços", explica.

Por ali perto Anastasia Shulha mostra à CNN o interior da sua loja de flores, cuja janela principal também foi rebentada e a porta da frente danificada.

"Na verdade, esta é a segunda vez que a minha loja sofre um ataque. A última vez foi no final da primavera do ano passado", refere.

Apontando para a porta da loja danificada, acrescenta que "está tudo aberto e qualquer pessoa pode entrar. Vou ter de ficar aqui até que a janela e a porta sejam substituídas".

Ruslan Kravchenko, chefe da administração militar da região de Kiev, garante que não houve ataques a infraestruturas críticas nem a edifícios residenciais - embora as imagens sugiram que houve pelo menos um incidente de perto.

Vídeos e imagens mostram uma grande cratera a poucos metros de edifícios residenciais altos. Uma imagem mostra carros próximos cobertos de terra projetada pelo impacto.

Ataque fez uma grande cratera numa das zonas da cidade (Vadim Ghirda/AP)

Mais de 25 mil pessoas, incluindo três mil crianças, abrigaram-se nas estações de metro da cidade até pouco depois das 06:00, altura em que o aviso de ataque aéreo foi levantado, informou a Câmara Municipal de Kiev.

O presidente da Ucrânia, Volodymr Zelensky, afirmou que o último ataque foi um lembrete da razão pela qual está a pedir mais apoio militar aos aliados.

"Os terroristas russos não têm mísseis que possam contornar a defesa dos PATRIOTs [fabricados nos EUA] e de outros sistemas líderes mundiais. Agora esta proteção é necessária aqui na Ucrânia [...] Isto é perfeitamente possível se os nossos parceiros tiverem vontade política suficiente", escreveu nas redes sociais.

Uma declaração da força aérea sugeriu que os mísseis balísticos eram do tipo KN-23, um míssil da classe Iskander-M fabricado na Coreia do Norte, ou do tipo Kh-47M2, de fabrico russo e mais conhecido como Kinzhal. No mês passado, um funcionário ucraniano afirmou que os mísseis da Coreia do Norte tinham sido utilizados pela Rússia em dezenas de ocasiões para atacar a Ucrânia.

Coreia do Norte apoia a Rússia

Autoridades norte-americanas e sul-coreanas acusaram a Coreia do Norte de fornecer à Rússia mísseis e outro equipamento militar nos últimos meses.

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, disse numa reunião da Casa Branca no início de janeiro que a Rússia tinha disparado mísseis de fabrico norte-coreano contra a Ucrânia em 30 de dezembro e 2 de janeiro.

Kirby e os analistas que falaram com a CNN explicaram que a introdução de armas norte-coreanas na guerra na Ucrânia irá repercutir-se 7.500 quilómetros (4.600 milhas) a leste da Península da Coreia. "Essa é uma escalada significativa e preocupante no apoio da RPDC à Rússia", disse Kirby.

Em 26 de fevereiro, o ministro da Defesa da Coreia do Sul, Shin Won-sik, disse que as fábricas de munição norte-coreanas que produzem armas e projéteis para a Rússia estão "a operar em plena capacidade". Em troca, a Rússia está a fornecer à Coreia do Norte alimentos e outras necessidades, acrescentou.

Na quarta-feira, Sullivan disse aos jornalistas em Kiev que continuava confiante de que a Câmara dos Representantes dos EUA acabaria por aprovar uma ajuda militar adicional à Ucrânia, apesar de esta ter sido bloqueada - em várias versões - no Congresso durante meses.

No mês passado, o Senado dos EUA aprovou um projeto de lei suplementar que teria desbloqueado 60 mil milhões de dólares (cerca de 55 mil milhões de euros) de ajuda militar, mas o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, recusou-se a levá-lo a votação. As atuais discussões no Capitólio estão alegadamente a centrar-se na tentativa de aprovar pelo menos uma parte da ajuda sob a forma de empréstimo, o que poderá garantir o apoio dos republicanos da Câmara.

"Estamos confiantes de que conseguiremos um voto bipartidário forte na Câmara dos Representantes para um pacote de assistência à Ucrânia e que conseguiremos que esse dinheiro seja libertado [...] Já demorou demasiado tempo [...] Não vou fazer previsões sobre quando é que isto será feito", disse Sullivan na quarta-feira, naquela que foi a primeira visita de um alto funcionário da Casa Branca à Ucrânia em seis meses.

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