Há empresas ocidentais a fazerem dinheiro com a reconstrução da "nova Mariupol" de Putin

13 abr, 20:33
Cidade de Mariupol durante a invasão russa

Empresas têm fortes ligações à Rússia mas têm escapado às sanções da Comissão Europeia

Cercada durante semanas e arrasada por bombardeamentos aéreos, Mariupol acabou por cair nas mãos dos russos nos primeiros meses de guerra, marcando uma das primeiras grandes vitórias de Vladimir Putin.

Agora, sob ocupação russa bem dentro da região de Donetsk, uma das quatro que Moscovo reclama como fazendo parte da Federação Russa, Mariupol enfrenta um processo de reconstrução. Acontece que essa reconstrução é também uma oportunidade de negócio, mas que está a ser aproveitada por empresas ocidentais, mais precisamente alemãs.

De acordo com uma investigação da televisão alemã ARD, pelo menos duas empresas com sede na Alemanha estão a lucrar com a reconstrução da cidade ucraniana. Uma série de documentos, fotografias e vídeos difundidos na Rússia, onde se apregoa uma “nova Mariupol”, indicam a presença da Knauf e da WKB Systems.

A primeira é uma empresa com sede em Iphofen, tendo uma forte presença na Rússia há vários anos, sendo detida por Nikolaus Knauf, que tornou a companhia líder mundial na produção de gesso, alcançando um valor de milhares de milhões de euros.

Nikolaus Knauf não tem apenas boas relações empresariais com a Rússia, mas também com o presidente russo, Vladimir Putin, que lhe concedeu a Ordem da Amizade, além do título de cônsul honorário russo durante mais de 20 anos, incluindo após a anexação da Crimeia, em 2014.

Nos documentos consultados pela ARD aparece também o nome da WKB Systems, uma empresa com sede em Münsterland. Trata-se de uma companhia que produz, entre outras coisas, cimento.

Também esta empresa tem uma ligação à Rússia: o principal acionista é o oligarca e banqueiro Viktor Budarin.

Para já, e segundo a investigação, a Comissão Europeia e as autoridades alemãs estão a investigar o caso, até porque desde o início que o Ocidente tem aplicado várias sanções à Rússia e aos seus associados, sendo que estas duas empresas e os seus responsáveis têm passado ao lado.

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