opinião
Coronel Veterano do Exército Brasileiro
A ARTE DA GUERRA

Rússia avança após general russo assumir o comando de tropas ucranianas

27 fev, 14:23

Desde o dia 8 de fevereiro, Zelensky demitiu o general Valerii Zaluzhnyi, que esteve à frente das Forças Armadas Ucranianas nos últimos dois anos. Rumores indicam que tenha sido por causa da alta popularidade do general, que poderia vir a se tornar um rival do atual presidente nas próximas eleições. 

Por outro lado, o novo comandante que assume a função é um general russo, isso mesmo. O general Olexandr Syrskyi, de postura bem mais reservada que seu antecessor, nasceu em 1965 na vila de Novinky, distrito russo de Kirzhach, 150 quilómetros a nordeste de Moscovo. Syrskyi passou a adolescência em Kharkiv e depois, em 1982, ingressou na Academia Militar de Moscovo onde se graduou oficial da Arma de Infantaria. Sua primeira comissão foi comandar um pelotão de fuzileiros motorizados em Lubni, região da Poltávia, 200 km a leste de Kiev. Com a implosão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ele seguiu carreira no Exército Ucraniano. Esse general é oriundo de uma família tradicional de militares russos; seu avô desapareceu em 1941 nos combates contra a Wehrmacht no cerco de Leningrado (atual São Petersburgo) e seu pai é aposentado do Exército Russo. As notícias divulgadas são de que a família rejeita o lado que ele escolheu.

Essa transição recente de funções na cúpula das forças Armadas da Ucrânia não se converteu em avanços no terreno, pelo contrário. Na última semana, as tropas russas tomaram a cidade de Avdiivka, de posição estratégica, 140 km ao norte de Mariupol. O portal ucraniano de notícias Strana (CTPAHA em alfabeto cirílico) registou depoimentos de militares da Ucrânia que escaparam da cidade sob fogo russo; eles criticaram a desorganização da retirada e falta de meios disponíveis alegando que tiveram que usar recursos próprios para se salvar. Também registaram que os russos cerram rapidamente à frente equipamentos e fortificam as posições, diferente do que ocorre do lado ucraniano. Por outro lado, reforçando a narrativa de que a Rússia não luta apenas com a Ucrânia, mas com toda a NATO, a força ocupante russa relatou que em Avdiivka havia combatentes da NATO disfarçados de mercenários. 

Na sequência das conquistas territoriais russas, Vladimir Putin confronta novamente a NATO ao assinar um decreto incorporando ao território russo as regiões invadidas de Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson, que agora passam a fazer parte do Distrito Militar da Rússia.

Em outubro de 2023, a Boeing disse que entregaria às Forças Armadas Ucranianas os GLSDB, trata-se de um foguete de precisão de longo alcance com uma carga explosiva de 250Lbs, cujo raio de arrebentação é restrito, reduzindo efeitos colaterais. Entretanto, nada foi entregue até o momento. Talvez, se tivesse ocorrido como previsto, o resultado das operações no terreno pudessem ser outros.

Vamos aguardar o prosseguimento das ações.

Colunistas

Mais Colunistas

Patrocinados