E se reduzir a velocidade na estrada ajudar a enfrentar as sanções ao petróleo russo? A sugestão é do presidente da Agência Internacional de Energia

19 mar, 11:00
Combustíveis. Foto: Damian Dovarganes/AP

Se estas estratégias fossem praticadas nas economias mais avançadas, a procura de petróleo iria reduzir em 2,7 milhões de barris por dia nos próximos quatro meses, garante Agência Internacional de Energia. E serviria para atenuar os impactos das sanções impostas à Rússia

Numa altura em que a Europa e os Estados Unidos começam a fechar portas à energia russa, tornam-se urgentes estratégias para fazer frente à crise energética que já se faz sentir. E qualquer pessoa pode contribuir para atenuar os danos. Quem o diz é Fatih Birol, presidente da Agência Internacional de Energia (AIE).

À boleia das sanções impostas à Rússia e à medida que mais países evitam comprar petróleo russo – para não falar naqueles que já proibiram ou estão prestes a proibir as importações, como o Canadá, os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália –, a AIE alertou para o facto de interrupções em larga escala na produção de petróleo estarem a “ameaçar criar um choque global de oferta” deste óleo mineral, cuja produção por parte da Rússia pode cair 30% e levar a uma crise de abastecimento – a maior das últimas décadas, segundo a CNN Internacional

Para fazer frente à ameaça de uma “crise global de energia”, a Agência Internacional de Energia partilhou um plano em que sugere dez passos para diminuir o uso de petróleo. São ações fáceis de incluir no dia a dia e que permitem “aliviar as tensões do mercado, reduzir o preço pago pelos consumidores e diminuir os danos económicos”, escreveu Fatih Birol no seu Twitter.

“Como e se as ações para reduzir o uso de petróleo são implementadas, isso está sujeito às circunstâncias de cada país. Os governos devem assumir a liderança, mas algumas medidas podem ser realizadas diretamente por estados, regiões, cidades ou outros níveis de governo – ou voluntariamente por cidadãos e empresas”, diz o presidente da agência.

A primeira estratégia proposta é reduzir em 10km/hora a velocidade nas estradas, a segunda sugere o regresso ao teletrabalho, pelo menos três vezes por semana, e a terceira apela à não utilização de carros aos domingos nas grandes cidades.

Na lista há ainda a sugestão de optar pelos transportes públicos em simultâneo com a micromobilidade – caminhada e andar de bicicleta. A quinta proposta passa pelo incentivo do uso de carros particulares em dias alternativos nas grandes cidades, e está relacionada com a sexta sugestão da AIE: incentivar a partilha de carros e práticas que diminuam o uso de combustíveis. 

A agência sugere também a promoção do uso eficiente de camiões de transporte de mercadorias e entregas, uma dica não apenas para as transportadoras, mas também para os consumidores.

Nas três últimas dicas, a AIE apela à preferência de comboios de alta velocidade e noturnos em detrimento de aviões, sempre que possível. Sugere ainda evitar viagens de negócios quando existem alternativas e recomenda a adoção mais célere de veículos elétricos e mais eficientes.

Segundo Fatih Birol, se estas dez estratégias fossem praticadas nas economias mais avançadas, a procura de petróleo iria reduzir em 2,7 milhões de barris por dia nos próximos quatro meses. Ou seja, antes da temporada de pico de procura. “As ações teriam ainda mais impacto se fossem adotadas em economias emergentes”, acrescentou Birol na sua publicação no Twitter.

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