"Defesa ativa". Este é o plano da Ucrânia para sobreviver em 2024

19 jan, 17:19
Soldados ucranianos preparam-se para a guerra no frio (Efrem Lukatsky/AP)

Depois de tentar de tudo para avançar a sul, soldados ucranianos têm de voltar atrás e reagrupar. Frio e maquinaria pesada são obstáculos

“A situação é deplorável”. Depois de uma contraofensiva falhada, é este o sentimento de muitos soldados ucranianos que estão na linha da frente e que agora se preparam para uma mais do que provável ofensiva em grande escala da Rússia, que pode começar na primavera.

Vanya passou meses numa equipa que fez vários ataques na margem do rio Dnipro, no sul da Ucrânia, tentando estabelecer uma linha de defesa sólida na região de Kherson.

Depois de semanas e semanas a tentar, muitas vezes durante a noite, atacar as posições russas e ganhar alguma vantagem na zona, aquela unidade começa a fraquejar, nomeadamente perot da vila de Krynky.

A meteorologia não ajuda – está demasiado frio – e as tropas começam a sofrer pesadas baixas, o que torna quase impossível a quem resiste conseguir descansar, lamenta Vanya, em declarações ao Financial Times.

O soldado acrescenta que do lado russo há uma vantagem: para cada soldado ucraniano há quatro ou cinco russos. Mas grande parte do problema também é logístico. Isto porque, para passar o rio de volta a uma posição segura, os ucranianos necessitam de pequenos barcos para permanecerem indetetáveis, o que impossibilita o transporte de armas maiores e mais letais.

“Tudo o que levamos é o que conseguimos carregar nós mesmos. Sobretudo são lança-granadas. Raramente vi uma máquina de artilharia pesada”, confessa Vanya.

O objetivo passa por encontrar uma nova posição Segura onde, em paralelo com um bastião defensive, as tropas ucranianas conseguem continuar os ataques às posições russas. Só que isso, conta Vany ao Financial Times, parece cada vez menos possível. Com efeito, vários bloggers militares russos e analistas têm notado o avanço russo em várias posições na margem direita do rio Dnipro.

Conseguirá a Ucrânia aguentar muito mais as posições naquela zona? “Claro que não”, afirma Vanya. “A realidade é que os soldados são incapazes de manter o ritmo da ofensiva e claramente a iniciativa perdeu-se há muito”.

Agora, a escolha é simples: ou regressam às posições defensivas, ou arriscam sofrer perdas maciças.

A estratégia será, segundo um responsável ocidental que falou ao Financial Times, é de “defesa ativa”. Na prática, aguentar as posições defensivas significa encontrar locais onde se possam estabelecer as forças e, ao mesmo tempo, conseguir explorer eventuais ataques com armas de longo alcance. O objetivo é permitir à Ucrânia “reconstruir as suas forças” e preparer 2025, quando uma nova contraofensiva pode ter melhores chances.

Decisivo vai ser também o apoio que o Ocidente, nomeadamente os Estados Unidos, vão dar à Ucrânia. Continua num impasse o desbloqueio da ajuda financeira e militar, com os republicanos a fazerem finca-pé no Congresso por causa da questão da imigração.

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