“Queremos que o Governo português o traga de volta”: luso-israelita desapareceu após ataque do Hamas, dez dias depois a família continua sem respostas

19 out 2023, 07:00
Idan

Idan estava a trabalhar como fotógrafo voluntário no dia em que combatentes do Hamas invadiram o festival Supernova, em Israel, e mataram mais de 240 pessoas. O jovem, neto de residentes em Portugal, fugiu num carro que foi encontrado destruído no deserto. À CNN Portugal, a família pede que o Governo “tome responsabilidade”, e aja o mais depressa possível

A família de Idan, um luso-israelita presumivelmente raptado pelo Hamas após o ataque terrorista a Israel, apela ao Governo português que intervenha “o mais rápido possível” para encontrar o jovem de 28 anos. “O Governo português e a embaixada em Israel têm de assumir a responsabilidade e agir, porque este pesadelo já aconteceu há dez dias e ainda não temos qualquer informação”, afirma à CNN Portugal, o irmão, Omri Shtivi.

Idan, que é neto de israelitas que moravam em Portugal, está desaparecido desde a manhã do dia 7 de outubro quando estava a trabalhar como fotógrafo voluntário no festival Supernova, um megaevento de música eletrónica atacado inesperadamente por forças do Hamas que mataram mais de 260 pessoas.

“Quando esta carnificina começou, ele telefonou à namorada às 7 da manhã e disse-lhe que estavam a disparar contra ele e que ia tentar fugir num carro de um amigo”, garante o irmão, salientando que a chamada caiu pouco depois de a namorada ouvir explosões.

O festival, que se desenrolou numa área remota a sul da Faixa de Gaza, tornou-se num campo de batalha, com festivaleiros a defenderem-se com pedras dos militantes do Hamas e as estradas à volta do recinto a ficaram repletas de carros que não conseguiram escapar às balas. Entre os mortos, estava Nero Arad, um luso-israelita de 25 anos.

Idan Shtivi é estudante e apaixonado por fotografia, tem 28 anos / D.R

O carro que Idan guiou para tentar fugir ao ataque, um Suzuki Alto, foi encontrado pelas Forças Armadas Israelitas numa estrada em direção a Gaza, no deserto de Neguev. Omri, que foi pessoalmente até ao local na segunda-feira para observar o estado do veículo diz que ficou em choque. “Vemos os sinais do tiroteio, as marcas das balas e o sangue no carro, foi um cenário muito difícil de encarar”.

Omri acredita que Idan tenha conduzido cerca de quatro quilómetros antes de ter sido intercetado por combatentes do Hamas que começaram a disparar contra o grupo. Cerca de quatro dias depois, foram informados que os dois amigos que viajavam com ele foram encontrados mortos. 

“Há mesmo muitos corpos no local e os militares estão a tentar descobrir as identidades de todos, soubemos da morte do rapaz que estava sentado ao lado do Idan e da rapariga que estava no banco de trás no domingo”, conta a tia de Idan, Ayalet, sublinhando que “o mundo tem de perceber que isto é um crime de guerra, é um crime contra a humanidade”.

Idan é um dos dois cidadãos portugueses que se encontram desaparecidos desde o dia 7 de outubro. Teme-se que tenham sido raptados pelo Hamas e levados para Gaza. Esta quarta-feira, uma família luso-israelita que estava dada como desaparecida foi encontrada morta.

O irmão e a tia de Idan dizem que têm tentado contactar o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Embaixada de Portugal em Israel, mas que até agora não receberam qualquer informação relevante. No entanto, recusam-se a perder a esperança. “Acreditamos que o meu irmão está vivo, porque representantes do Hamas já disseram que não fariam mal a cidadãos com dupla-nacionalidade, mas todas as horas contam”, afirma Omri, sublinhando que “é necessário que o Governo português aja, encontre informações, para que possamos ter de volta o Idan”. “Queremos que o tragam de volta”.

Contactada esta quarta-feira, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros afirma que o Governo está em “acompanhamento permanente” sobre o estado dos cidadãos portugueses que terão sido raptados pelo Hamas e sublinha que são esperados desenvolvimentos sobre esta situação nos próximos dias, especialmente após o anúncio de que Israel irá permitir a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, a partir da fronteira com o Egipto.

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