opinião

Portas: "De tão grande que é a obsessão pela Ucrânia, Putin pode vir a perder territórios em outras frentes"

3 abr, 22:00

Em "Global", o comentador analisou as últimas movimentações ofensivas entre o Azerbaijão e a Arménia, salientando que os inimigos do Kremlin "sentiram que a Rússia não era capaz de repor a ordem"

No seu habitual espaço de comentário no Jornal das 8 da TVI, Paulo Portas observou que “a Rússia não consegue ter forças para todas as frentes que pretende dar resposta” e salientou que há um velho conflito que já causou danos ao Kremlin, demasiado focado na guerra com a Ucrânia.

A Rússia está em guerra na Ucrânia, mas há um velho conflito entre o Azerbaijão e a Arménia. Arménia mais próxima de Moscovo e o Azerbaijão mais perto da Turquia”, lembra o comentador, salientando que houve um cessar-fogo em 2020 e os russos enviaram dois mil soldados como força de interposição. “O que aconteceu foi que os azeris aproveitaram a guerra na Ucrânia e fizeram avanços sobre as zonas de interposição e zonas arménias e fizeram mortos e feridos”.

Paulo Portas afirma que estas movimentações ofensivas aconteceram porque o Azerbaijão “sentiu que a Rússia não era capaz de repor a ordem”. “Este é um sinal de muito perigo para Putin. De tão grande que é a obsessão pela Ucrânia, ele pode vir a perder territórios em outras frentes”. 

O comentador refere ainda que Putin usa alguns aliados externos para assustar a União Europeia. “Estamos de tal maneira concentrados naquilo que se passa na Ucrânia que nos esquecemos do que está a acontecer noutros lados. O primeiro aliado de Putin chama-se Sérvia que é filorussa e candidatos à UE”.

Para Portas, isto coloca um problema, porque a Sérvia foi forçada a condenar a Rússia na ONU, “mas nota-se nas instituições uma russofilia”. “Para Bruxelas há um problema. A partir de agora, não é possível ficar a meia ponte entre a Rússia e a União Europeia”. 

Para além das frentes dos vários conflitos em que a Rússia está envolvida, Paulo Portas analisou também a recente lei aprovada pelo Kremlin que legaliza o contrabando, “chamando-lhe o mercado cinzento”. “Estão a pedir às empresas que violem as sanções e aceitem o sistema paralelo de garantias de qualidade e está em choque completo com as regras da Organização Mundial do Comércio”, explica, garantindo que “há sinais de estrangulamento da economia russa”.

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