Vai viajar com crianças? Estas seis regras são essenciais para evitar o "já chegámos?"

23 jul, 09:00
Transporte de crianças

Com a chegada do período de férias, vêm também as viagens em família e as longas deslocações. A psicóloga Melanie Tavares explica à CNN Portugal como manter as crianças entretidas para que o percurso não se torne numa experiência incómoda para todos.

"Já chegámos?", "Falta muito?", "Já chegámos?". As perguntas, feitas pelas crianças, costumam surgir durante as viagens e muitas vezes começam desde o primeiro minuto e só terminam com a chegada ao destino. No carro ou até no avião, as horas passam e os mais novos parecem cada vez mais irrequietos. Puxam os cabelos dos irmãos, gritam, pedem para parar, e a os desafios não param de surgir. A psicóloga clínica e coordenadora do Institudo de Apoio à Criança, Melanie Tavares, indica algumas práticas a ter em conta para dar resposta ao frenesi dos mais novos. 

Respeitar as rotinas

Melanie Tavares começa por explicar que as técnicas vão depender da idade das crianças. Se estas forem muito pequenas, as suas rotinas devem ser respeitadas de modo a que não sintam uma diferença tão significativa. Por exemplo, no caso de um bebé que tenha facilidade em adormecer no carro, aproveitar a hora da sesta pode ajudar a que a viagem seja menos cansativa. O ideal é que a viagem, por norma, seja programada para ocorrer de noite.

As refeições também devem ser feitas nas horas habituais, mas sem o veículo estar em andamento. "Tranquilamente, para não destabilizar a criança", esclarece. "Se quebrarmos muito as rotinas quando são pequenos já não se trata da viagem em si, trata-se de eles acabarem por ficar mais impacientes, com tendência a birras". 

Recorrer a distrações

Quando as crianças são mais crescidas o truque é sempre o mesmo: atividades. "Tudo o que possa transformar a viagem num momento lúdico que envolva a família", sugere. Os jogos de palavras, de cores e até mesmo jogos próprios para viagens - bem como a dica que segue em baixo - ajudam a minimizar a noção de tempo. Também os livros para colorir e as "bolachinhas" são imprescindíveis. 

Fazer pausas

Sabe-se que hoje em dia, nas estações de serviço, já começam a surgir parques infantis. "Não é à toa", diz a psicóloga. É aconselhável que os mais novos possam ir fazendo algumas pausas para correr, brincar, gastar energias e, até, que lhes sejam abertas algumas exceções como por exemplo comer um gelado, "mesmo se os pais forem um bocadinho mais restritos na questão dos doces". O objetivo é tornar a viagem num momento agradável, e para isso é fundamental que estas medidas sejam respeitadas.

Dizer sempre a verdade

Acima de tudo, Melanie Tavares alerta para a importância de preparar as crianças para a viagem e para o tempo que esta irá durar. "Nada de enganar, nós não podemos nunca dizer que é já ali, quando não é", explica. Isso pode criar inseguranças e gerar a sensação muito comum nos mais pequenos de que "nunca mais é". No futuro nunca irão perceber ou acreditar que de facto é pouco tempo.

Em suma, a resposta ideal à incessante questão "já chegámos?", é na verdade "lamento, mais vai levar muito tempo", mas sempre com a perspetiva de que haverá pausas pelo caminho. "Tu vais gostar do sítio para onde vamos, vais poder ir à praia, vais poder ir à piscina, vais estar com os avós”, o que quer que a criança tenha de positivo nessa viagem.

Evitar os castigos

Castigar é aceitável? "É péssimo", vinca a psicóloga. "Não são todas as pessoas que gostam de fazer viagens, porque são maçadoras". Melanie Tavares explica ainda que as crianças têm menos tolerância à frustração e o tempo delas não é o tempo dos adultos. Enquanto os últimos conseguem gerir a cabeça para quatro horas de viagem, para uma criança quatro horas não têm um fim à vista. "Em quatro horas fazem muita coisa dos dias delas", diz. "Recorrer a castigos não faz sentido, mas sim recorrer a inputs positivos". 

Mais liberdade

A partir dos cinco anos, quando estão mais crescidas, as crianças já não requerem tantos cuidados e é possível usufruir de algum desafogo em termos de passeios e planeamento. Uma vez que as férias servem precisamente para relaxar e ter alguma soltura durante uns dias, Melanie Tavares defende que se dê um pouco mais de liberdade aos mais novos ao contrário do que acontece ao longo do ano. "Sem tanta regra, mas obviamente com os devidos cuidados em termos de segurança", esclarece. Por outro lado, e mais uma vez, depende da criança. "Normalmente aos quatro anos já nem dormem a sesta nas escolas, mas há outros que ainda dormem", diz. 

E os pais? "Se os pais cumprirem com estas técnicas já vão estar a trabalhar na sua própria resiliência", explica. Ainda assim, nunca podem esquecer que por vezes é um desafio, e por isso devem questionar-se: "Estou ou não preparado para isso?". 

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