Rendeiro à CNN Portugal: “Sou um poderoso fraco. Só volto a Portugal se for ilibado ou com indulto do Presidente”

João Rendeiro
João Rendeiro

Entrevista exclusiva a João Rendeiro, o ex-banqueiro condenado pela justiça que está em fuga desde setembro

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João Rendeiro não volta a Portugal pelo próprio pé. A não ser que seja ilibado, diz, ou indultado pelo Presidente da República. O ex-presidente do BPP insiste assim num cenário de recurso judicial que é desmentido pelos tribunais em Portugal, que já deram como encerrado um dos três processos judiciais em que Rendeiro está condenado, após trânsito em julgado. 

Numa entrevista exclusiva à CNN Portugal, que foi sendo divulgada ao longo da primeira noite do novo canal, Rendeiro convoca pela primeira vez Marcelo Rebelo de Sousa, ao citar a possibilidade de um indulto presidencial. Mesmo que seja o próprio ex-banqueiro a admitir que tal "é quase impossível". Segundo os poderes previstos na Constituição da República, a concessão de indultos de penas é uma competência exclusiva do Presidente da República, que decide após uma audição prévia do Governo.

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Poderoso é Salgado, diz Rendeiro

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Rendeiro diz-se injustiçado e compara a sua situação com a de Ricardo Salgado, que diz ser “protegido pelo sistema”. Já quanto a si próprio tem outra opinião: “Como nunca paguei nada a ninguém e não tenho segredos de Estado, sou um poderoso fraco”. Salgado "segue com a sua vida tranquila em Lisboa", diz. Rendeiro fugiu para parte incerta. A CNN Portugal não conhece o paradeiro de Rendeiro, que deu esta entrevista à distância e através de tecnologias que escolheu para proteger rastos de localização. 

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Criticando a Justiça portuguesa, pelos “dois pesos e duas medidas”, Rendeiro sublinha que o ex-presidente executivo do BES e administrador de várias sociedades do Grupo Espírito Santo (GES) “é uma pessoa que tem muita informação sobre operações delicadas e intervenientes também complexos”. Isto referindo-se aos vários processos que correm, em que há suspeitas de sacos azuis pagos pelo GES a pessoas influentes. Ricardo Salgado é aliás, arguido também do caso EDP, onde há indícios de pagamentos a Manuel Pinho, ex-ministro da Economia, tendo recentemente sido noticiado que o GES montou um esquema de forma a que a Odebrecht pagasse mais de 90 milhões de dólares em subornos a um ministro de Nicolás Maduro, presidente da Venuzuela.

Na entrevista, feita em colaboração com o jornal Tal e Qual, João Rendeiro decide fazer um paralelo com Ricardo Salgado quando confrontado com os crimes de que é acusado, e cujas penas somadas dariam 19 anos. O antigo presidente do BPP garante que esses crimes “não são muitos” quando comparados “com os 60 de Ricardo Salgado”. O ex-líder do BES foi formalmente acusado no âmbito do processo do Universo Espírito Santo da prática de vários crimes: um de associação criminosa, 12 de corrupção ativa no setor privado, 29 de burla qualificada, 7 de branqueamento de capitais, um de manipulação de mercado, seis de infidelidade e nove de falsificação de documento. O caso está na fase de instrução e nas mãos do juiz Ivo Rosa.

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João Rendeiro, por seu lado, foi condenado por três vezes: em 2018, a uma pena de cinco anos e oito meses de prisão efetiva, pelos crimes de falsidade informática e falsificação de documentos; em maio de 2021, a uma pena de dez anos de prisão efetiva, pelos crimes de fraude fiscal qualificada, de abuso de confiança qualificado e de branqueamento; em setembro de 2021, a uma pena de três anos e seis meses de prisão efetiva por crimes de burla. O primeiro já transitou em julgado, depois de esgotados os recursos.

Na entrevista, o arguido, que aparece de blazer azul e camisa branca, não fala apenas de Ricardo Salgado, mas também de antigos administradores do BPP como Salvador Fezes Vital ou de ex-colegas do BPP como de Paulo Guichard, o homem que foi o número dois de Rendeiro e que, quando regressou a Portugal e foi detido pela PJ, disse que fugir era um “ato de cobardia”. Guichard está em liberdade depois de a sua defesa ter apresentado um 'habeas corpus' no Supremo Tribunal de Justiça. Já João Rendeiro continua em fuga, tendo sido alvo de dois mandados de captura internacional, um da Europol, outro da Interpol. O objetivo é identificar o seu paradeiro para se conseguir pedir formalmente a captura e a extradição às autoridades do País onde se encontra. Mas se não existir acordo de extradição, a estratégia das autoridades deverá passa por alertar os países fronteiriços e apostar no campo da diplomacia

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O descaminho dos quadros

Ao longo da conversa com a CNN Portugal, o antigo líder do BPP fala ainda da sua mulher Maria Rendeiro, com quem está casado há 49 anos, e que ficou em Portugal, estando, neste momento, em prisão domiciliária, por suspeita de crime de descaminho, desobediência, branqueamento de capitais e de crimes de falsificação de documento.  Em causa estão alegados crimes ligados às obras de arte do marido, das quais Maria Rendeiro era fiel depositária. Oito quadros terão sido alegadamente vendidos e substituídos por falsificações, que integravam a coleção de 124 obras de arte apreendidas pelo Estado, para garantir o pagamento de uma indemnização ao BPP.

À CNN Portugal, João Rendeiro dá explicações sobre a questão das obras de arte e da casa de luxo alegadamente comprada pelo o seu motorista, conta o seu dia-a-dia no local onde se decidiu esconder e explica qual o seu desafio profissional.

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