França compromete-se a "revisitar" a questão do novo gasoduto português para a Europa

Agência Lusa , HCL
28 set, 19:44

Portugal tem o caminho a abrir-se para a construção de um novo gasoduto de ligação a Espanha. Isto pode beneficiar tanto a redução da dependência europeia do gás russo, como a possibilidade de o nosso país aumentar exportações de gás natural

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus afirmou esta quarta-feira que recebeu a garantia da sua homologa francesa de que este país vai “revisitar” a questão das interligações energéticas da Península Ibérica com o resto da Europa.

Tiago Antunes falava na Assembleia da República, durante o debate parlamentar sobre o estado da União Europeia, na sequência de uma intervenção do deputado socialista Jorge Seguro Sanches sobre a questão da política energética.

Perante os deputados, o membro do Governo português informou que teve na terça-feira uma reunião em Paris com a sua homóloga francesa, Laurence Boone, que lhe manifestou a intenção de “revisitar” a questão das interconexões energéticas “com mente aberta e novos olhos”.

Ao longo dos últimos anos, a França tem exercido um bloqueio político em relação às interconexões de energia entre a Península Ibérica e o resto da Europa.

“Este é um tema geoestratégico absolutamente central na resposta que temos de dar face à situação que está criada com a guerra na Ucrânia e com a paralisação por parte da Rússia de matérias-primas energéticas a vários Estados-membros da União Europeia. Portugal e Espanha querem ser parte da solução, temos um potencial imenso no momento atual através dos nossos terminais de gás liquefeito e no futuro através da capacidade de produção de hidrogénio verde, limpo e barato”, sustentou Tiago Antunes.

Pela parte do PSD, Catarina Rocha Ferreira acusou o Governo de ser “uma agenda de publicidade”, num momento em que se assiste a “uma má execução” dos dinheiros europeus em Portugal.

A deputada do PSD observou ainda que Tiago Antunes “não disse uma palavra sobre notícia do dia relacionada com a opacidade na atribuição de fundos” europeus - uma alusão ao caso de empresas do marido da ministra da Coesão, Ana Abrunhosa, terem tido acesso a fundos.

“É uma questão ética e é a imagem de Portugal que está aqui em causa”, salientou.

Pela parte do PCP, o deputado Alfredo Maia criticou o recente discurso proferido pela presidente da Comissão, Ursula Von der Leyen, sobre o estado da União Europeia, caracterizando-o “como uma peça chocante de oratória” por ser “belicoso e seguidista das ordens de Washington”.

“Nem uma palavra de apelo à paz, mas muitos incentivos de uma escalada de confrontação” na Ucrânia, advogou o jornalista, acusando também Ursula Von der Leyen de pretender manter e agravar as sanções e os inerentes sacrifícios impostos aos povos”.

Alfredo Maia registou ainda que a presidente da Comissão Europeia assumiu a existência de “super lucros” nas empresas de energia e “reconheceu que alguém ganha com esta guerra e com as sanções”. No entanto, de acordo com o deputado do PCP, Ursula Von der Leyen não põe em causa o sistema nem questiona a política do Banco Central Europeu de aumento dos juros.

“Limita-se a secundar as posições alemãs sobre as regras orçamentais”, apontou Alfredo Maia, que condenou igualmente uma “caça às bruxas” no ocidente a propósito da guerra na Ucrânia.

Pela parte do Chega, Diogo Pacheco Amorim referiu-se indiretamente aos resultados das eleições italianas, criticando a “arrogância ideológica e a falta de respeito pelas opções políticas soberanas dos povos e nações da Europa” por parte dos responsáveis das instituições europeias.

Na sua breve intervenção, Diogo Pacheco Amorim começou por aludir às consequências da anterior estratégia de impressão “massiva” de dinheiro na Europa, Reino Unido e Estados Unidos, que agora, na sua opinião, deu origem a uma elevada inflação.

“O Banco Central Europeu seguiu este caminho sem qualquer contrapartida em termos de produtividade”, assinalou, já depois de outro deputado do Chega, Pedro Pessanha, ter responsabilizado o Governo português pela “desmotivação reinante nas Forças Armadas.

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