Preços dos combustíveis: cada mil quilómetros custam aos portugueses mais 25 a 30 euros do que há um ano

5 mar, 06:58
Combustíveis (EPA)

Só este ano, os preços da gasolina simples 95 já subiram 24 cêntimos por litro, ao passo que os preços do gasóleo simples escalaram 26 cêntimos. São mais centenas de euros ao fim do ano

Está a fazer contas à vida? Não é o único. As filas desta sexta feira nas bombas de gasolina mostram como muitos portugueses foram encher os depósitos antes de mais um aumento de preços dos combustíveis, que entra em vigor esta semana. Será o maior aumento de preços na escalada recente das cotações de petróleo, acelerada pela guerra na Ucrânia.

Cada caso é um caso, mas algumas simulações esclarecem quão fortes são os aumentos dos preços do gasóleo e da gasolina, que estão cerca de 50% mais caros do que há exatamente um ano. Um português que percorra 15 mil quilómetros por ano, uma média de 1.250 quilómetros por mês poderá gastar mais cerca de 400 euros em combustíveis este ano. E isto se os preços não continuarem a subir.

É o que resulta da comparação do preço do gasóleo a partir desta segunda feira com o preço por litro de há um ano. Num automóvel que consuma seis litros de combustível por cada cem quilómetros, conduzir 15 mil quilómetros por ano representa um custo adicional este ano de 369 euros se o carro for movido a gasóleo, e de 417 euros por ano se for a gasolina.

A diferença é de 31% face ao ano passado, ou cerca de 30 euros a cada mês.

As contas variam consoante o consumo do automóvel e conforme o número de quilómetros percorrido por ano. Outro exemplo: se o mesmo automóvel percorrer 30.000 quilómetros por ano (ou 82 quilómetros por dia), o dinheiro gasto em combustíveis este ano será de mais 739 euros no caso do gasóleo e de mais 934 euros na gasolina.

Ou seja, num carro que consuma “seis litros aos cem”, cada mil quilómetros custam mais cerca de 25 euros este ano em gasóleo, ou mais cerca de 30 euros em gasolina, do que face aos preços praticados em março do ano passado.

As contas têm por base números divulgados pela DGEG - Direção-Geral de Energia e Geologia, tanto no que diz respeito ao consumo como aos preços médios praticados em Portugal, em cada mês do ano.

Só este ano, os preços da gasolina simples 95 já subiram 24 cêntimos por litro, ao passo que os preços do gasóleo simples escalaram 26 cêntimos.

O secretário de Estado da Energia, João Galamba, disse aos jornalistas esta sexta feira que o Governo estava a estudar medidas para conter o impacto da subida de preços da energia, mas afastou que tais medidas conseguissem compensar por inteiro os efeitos da atual crise agravada pela guerra na Ucrânia. A medida voltou a não incidir sobre a carga fiscal, mas sim no chamado AutoVaucher - um mecanismo criado pelo Governo para devolver uma pequena parte do que os portugueses pagam a mais.

Governo arrecadou quase 3 mil milhões só com o ISP

Entre janeiro e dezembro do ano passado, o Estado português terá arrecadado cerca de 3 mil milhões de euros só com o ISP - Imposto Sobre Produtos Petrolíferos que é taxado a cada litro de combustível. Um valor que fica ligeiramente aquém daquele que era previsto pelo executivo, no Orçamento do Estado de 2021 (3,4 mil milhões). Segundo o documento de 2022, entretanto chumbado, o executivo prevê ganhar 3,5 mil milhões com este imposto.

No que diz respeito ao pagamento de impostos sobre os combustíveis, Portugal situa-se acima da média praticada entre os Estados-membros da União Europeia (UE). Em termos do ISP, Portugal é o sexto país que mais cobra tanto nos gasóleos, como nas gasolinas, de acordo com os dados da Apetro - Associação Portuguesa de Empresas Petroliferas. A estrutura destes impostos pode ser encontrada no site da entidade. Nos últimos anos, tem-se assistido a uma subida deste imposto, que em 2004 era quase metade, no caso dos gasóleos.

Nos gasóleos, a média da UE é de 0,444 euros por litro, abaixo dos 0,513 euros cobrados por cá, ao passo que nas gasolinas a média da UE fica-se pelos 0,554 euros, aquém dos 0,667 euros praticados em Portugal.

A este imposto, junta-se ainda o IVA - Imposto sobre o Valor Acrescentado de 23%. Tudo somado, cerca de 60% de a factura paga pelos portugueses traduz-se em carga fiscal, sendo que os restantes 40% são partilhados entre a gasolineira, o transporte e os demais processos para que o combustível chegue à bomba.

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