Euribor a 12 meses supera os 3% pela primeira vez em 14 anos

ECO - Parceiro CNN Portugal , Alberto Teixeira
19 dez 2022, 12:27
Crédito à habitação: Euribor a seis meses atinge valor máximo em 13 anos

Indexantes dos empréstimos da casa continuam a subir perante a perspetiva de BCE continuar a subir as taxas de juro para controlar a inflação.

A última vez que a Euribor a 12 meses negociou acima dos 3% foi a 1 de janeiro de 2009. Agora, quase 14 anos depois, este indexante voltou a superar esta fasquia, fixando-se esta segunda-feira nos 3,057%, numa má notícia para quem tem crédito à habitação, pois vai ver os encargos com a casa subirem. As Euribor sobem nesta reta final de ano depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter aumento das taxas diretoras, com a presidente Christine Lagarde a antecipar a continuação de uma postura agressiva para controlar a inflação.

O ano de 2022 ficou marcado pela subida das Euribor e o próximo ano não será diferente, deixando milhares de famílias na incerteza em relação ao momento em que a escalada destas taxas interbancárias vai terminar.

Em relação à Euribor a 12 meses, que tem conquistado a preferência dos portugueses nos últimos anos (com quotas em torno dos 70% nas novas operações em 2020 e 2021), começou este ano nos -0,501% e chegará a 31 de dezembro já acima dos 3%, aumentando 350 pontos base no espaço de 12 meses.

Para as famílias com este indexante, esta subida traduziu-se num aumento de 250 euros na prestação mensal num empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, numa altura em que enfrentam simultaneamente a dureza do aumento do custo de vida, com a inflação a atingir os 8% este ano.

De acordo com os dados do Banco de Portugal, é expectável que a prestação média da casa suba mais de 90 euros até final do próximo ano, tendo em conta a perspetiva do mercado de subida das Euribor para 3% — fasquia agora atingida pela taxa a 12 meses.

Foi neste contexto de antecipação de dificuldades para as famílias que o Governo anunciou recentemente medidas que visam agilizar o processo de renegociação do contrato com o banco para evitar situações de incumprimento que podem levar, em último caso, a despejos. A Moody’s prevê que as novas regras tenham pouca adesão por parte das famílias.

Quanto às Euribor nos outros prazos, que também inverteram de valores negativos para positivos ao longo do ano, também registam subidas esta segunda-feira: a taxa a seis meses avançou para 2,585% e a taxa a três meses subiu para 2,063%, atingindo em ambos os casos os valores mais elevados desde a crise do subprime.

A Euribor é a taxa de referência baseada na média dos juros praticados por um conjunto de 52 bancos da Zona Euro, nos empréstimos que fazem entre si no chamado mercado interbancário, num determinado prazo (uma semana, um mês, três meses seis meses e 12 meses).

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