Líder supremo do Irão acusa EUA de instigar manifestações no país

Agência Lusa , AM
4 jun, 13:20
Ali Khamenei (Associated Press)

Declaração surge após uma vaga de manifestações no país contra o aumento de preços e a corrupção

O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, acusou “o inimigo”, nomeadamente os Estados Unidos, de explorar e instigar os protestos nas últimas semanas que têm surgido no país a denunciar o aumento dos preços e a corrupção.

“Hoje, o inimigo depende dos protestos populares para atacar o sistema islâmico”, afirmou Khamenei, num discurso para uma multidão reunida no mausoléu dedicada ao ‘ayatollah’ Khomenei, no âmbito do aniversário da morte do fundador da República Islâmica.

A declaração surge após uma vaga de manifestações contra o aumento dos preços dos alimentos básicos, um movimento que reacendeu-se após o colapso, na semana passada, de um edifício em Abadan, na província de Khouzestan, no sudoeste iraniano, em que se registaram pelo menos 37 mortes.

O inimigo, afirmou Khamenei, “espera ser capaz de juntar as pessoas contra a República Islâmica através de trabalho psicológico, atividades na internet, dinheiro e mobilização de mercenários”.

“Os americanos e os ocidentais fizeram erros de cálculo no passado (…). Ainda hoje, eles fazem erros de cálculo em pensar que conseguem pôr a nação iraniana contra a República Islâmica”, acrescentou o líder supremo do Irão.

No discurso, transmitido na televisão, Ali Khamenei reiterou a necessidade de “punir” os responsáveis pelo colapso do edifício em Abadan.

Protestos noturnos tiveram lugar em várias cidades após a tragédia, exigindo a condenação dos responsáveis pelo desastre, um dos mais mortíferos nos últimos anos no Irão.

A justiça iraniana afirmou que deteve 13 pessoas, incluindo o presidente da Câmara de Abadan, acusados de serem responsáveis pela tragédia.

O fim dos subsídios estatais para os alimentos básicos levou a uma grande subida de preços no Irão, numa altura em que a inflação chegou aos 40%, em resultado do encarecimento de muitos produtos nos últimos meses.

A situação levou aos primeiros protestos por questões económicas nos últimos anos no país.

O Irão vive sob sanções económicas dos Estados Unidos desde 2018 e as negociações para o seu levantamento estão paralisadas desde março.

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