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Dois marinheiros norte-americanos detidos após entregarem "informações militares sensíveis" à China - incluindo manuais de submarinos

3 ago 2023, 19:51
Marinha norte-americana (Lusa/EPA)

São suspeitos de entregarem várias fotografias das instalações militares americanas e venderem "dezenas" de documentos técnicos

Dois marinheiros da Marinha dos Estados Unidos foram detidos por suspeita de entregarem informações militares sensíveis à China, avança a agência Reuters, que cita fontes oficiais americanas.

Segundo Matt Olsen, assistente do procurador-geral, devido às ações dos dois marinheiros, que se encontram no ativo, diversas "informações militares sensíveis acabaram nas mãos" das forças armadas da República Popular da China.

Durante a conferência de imprensa, em San Diego, o assistente do procurador-geral afirmou que os dois marinheiros entregaram várias fotografias das instalações militares americanas e venderam "dezenas" de documentos técnicos, incluindo manuais de submarinos americanos. 

Um dos marinheiros foi detido na quarta-feira ao chegar à base naval de San Diego, uma das maiores instalações militares americanas no Pacífico. O outro oficial detido trabalhava na base naval de Ventura County, em Port Hueneme, na Califórnia. Não é claro que os dois casos estejam ligados. 

Jinchao Wei, o marinheiro que trabalhava na base naval de San Diego e que cumpriu funções de maquinista no porta-aviões USS Essex, terá iniciado uma relação com um espião chinês no início de fevereiro de 2022. A troco de milhares de dólares, Wei terá fornecido dezenas de documentos (entre os quais sistemas de armamento). 

De acordo com a acusação, o espião chinês responsável por obter a informação dos marinheiros americanos terá mesmo dado os parabéns a Wei por este ter conseguido obter cidadania norte-americana a 18 de maio de 2022.

As autoridades americanas acreditam que Wenheng Zhao, o outro suspeito, é um membro dos serviços secretos chineses que se fez passar por investigador de economia marítima para obter vários planos militares americanos, incluindo de alguns dos principais exercícios militares na região do pacífico. 

Zhao seria responsável pela instalação, reparação e manutenção de equipamentos elétricos em instalações militares americanas, o que lhe permitiu obter informação militar sensível.

Este incidente acontece numa altura em que as relações entre os Estados Unidos e a China estão particularmente tensas, devido à disputa do estatuto de independência de Taiwan, que o governo comunista reconhece como parte integral do seu território, bem como questões de segurança nacional e de natureza comercial. 

Os Estados Unidos acusam reiteradamente a China de levar a cabo ações de espionagem e de estar por detrás da autoria de vários ciberataques. Acusações que Pequim rejeitou sempre.

Este não é o primeiro caso caso de alegada partilha de informações militares com rivais norte-americanos. Recorde-se que, no início do ano, o lusodescendente Jack Teixeira divulgou dezenas de documentos classificados como confidenciais nas redes sociais sobre a guerra na Ucrânia. O jovem era membro da Guarda Nacional Aérea do Massachusetts.

Os ficheiros detalhavam a avaliação norte-americana da guerra na Ucrânia e dados sobre o estatuto das forças russas, bem como material sensível sobre Canadá, China, Israel e Coreia do Sul.

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