Temperatura controlada, montras desligadas e mais teletrabalho. Como Espanha vai tentar poupar energia em período de crise

Agência Lusa , FMC
2 ago, 00:09
Termómetros em Espanha podem atingir os 42 graus (Burak Akbulut/Anadolu Agency via Getty Images)

Saiba quais as medidas que vão entrar em vigor no país vizinho

O governo espanhol deu esta segunda-feira luz verde para um novo pacote de medidas urgentes de poupança e eficiência energética. 

O anúncio foi feito pela ministra com a pasta da Energia no governo espanhol, Teresa Ribera, que afirmou que "não podemos dar-nos ao luxo de perder quaisquer quilowatts", citada pelo El País

O pacote aprovado inclui diversas medidas, que deverão entrar em vigor dentro de uma semana: 

  • A temperatura em edifícios públicos, espaços comerciais, estações de autocarros e comboios e aeroportos em Espanha não possa ser inferior a 27 graus no verão e superior a 19 no inverno.
  • A medida, abrangerá também espaços culturais, como cinemas ou centros de conferências, entre outros;
  • Prevê também que se desligue a iluminação de montras, monumentos e outros edifícios a partir das 22:00, assim como as luzes dentro de edifícios públicos quando estão desocupados
  • Os espaços com ar condicionado e/ou sistemas de aquecimento abrangidos por estas medidas devem manter fechadas as portas que dão para a rua e colocar termómetros que atestem a temperatura a que está o interior.
  • O governo espanhol vai também aumentar o teletrabalho na administração pública

A ministra apelou, também,  que as "grandes empresas" sigam o caminho do teletrabalho, para haver menos deslocações e menos custos com a climatização de edifícios e com outros consumos de energia.

A ministra falava numa conferência de imprensa em Madrid, no final de um Conselho de Ministros extraordinário que aprovou, nas palavras de Teresa Ribera, um "pacote de medidas urgentes de poupança e eficiência" energética, atendendo "à situação crítica" que vive a Europa por causa da ameaça russa de corte de fornecimento de gás.

Estas medidas vão estar em vigor até novembro de 2023 e "são um primeiro pacote", que integrará um plano mais completo de redução e eficiência do consumo de energia que o governo espanhol pretende aprovar depois do verão, acrescentou Teresa Ribera.

A ministra lembrou o acordo dos líderes da União Europeia da semana passada para haver um corte de gastos de energia durante o inverno e sublinhou que está em causa também a necessidade de mudanças no consumo por causa das alterações climáticas.

Teresa Ribera disse que as estimativas sugerem que reduzindo um grau centígrado na climatização de edifícios há uma poupança de 7% no consumo de energia e que estas medidas são também positivas para a poupança nas contas da eletricidade e gás das empresas e administrações públicas, num contexto de subida da inflação em níveis que não se registavam há décadas.

Por outro lado, o governo liderado por Pedro Sánchez aprovou esta segunda-feira o regulamento para tornar gratuitos os comboios suburbanos para quem tem passe mensal, entre 1 de setembro e 31 de dezembro deste ano, uma medida que o primeiro-ministro havia já anunciado.

O objetivo é fomentar a utilização do transporte público e assim diminuir também o consumo de combustíveis, segundo o executivo espanhol, uma coligação do partido socialista (PSOE) com a plataforma de esquerda Unidas Podemos.

É, além disso, uma medida que se insere num pacote de ajudas sociais para tentar paliar o efeito da inflação nos rendimentos da classe média espanhola e grupos mais desfavorecidos da população.

O custo desta medida está estimado em 200 milhões de euros.

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