Está ou não em prisão domiciliária? O caso Elnaz Rekabi - e todas as dúvidas sobre o que realmente lhe aconteceu

Por Jomana Karadsheh e Artemis Moshtaghian, CNN
23 out, 20:09
Elnaz Rekabi

Atleta iraniana competiu sem o véu

Atleta iraniana Elnaz Rekabi agradece a apoiantes nas redes sociais e um representante nega que ela esteja em prisão domiciliária

Por Jomana Karadsheh e Artemis Moshtaghian, CNN

A atleta iraniana, que competiu sem hijab numa competição internacional na Coreia do Sul, recorreu às redes sociais para agradecer aos seus apoiantes – entre relatos contraditórios sobre o facto de estar ou não em prisão domiciliária. "Estou eternamente grata pelo vosso apoio, de todo o povo do Irão, das pessoas mais decentes do planeta, atletas e não atletas, e todo o apoio da comunidade internacional", escreveu Elnaz Rekabi no Instagram, na sexta-feira.

Na legenda de uma fotografia sua a fazer escalada– na qual aparece como uma silhueta, suspensa no ar – acrescentou: "O que ganhei até hoje foi o carinho das vossas belas almas; e o futuro não seria uma estrada sem obstáculos se vocês não estivessem ao meu lado”.

Vídeos publicados nas redes sociais mostraram Rekabi a ser recebida por multidões que entoavam "Elnaz, a heroína", quando chegou ao Aeroporto Internacional Imam Khomeini, em Teerão, na manhã de quarta-feira.

O seu regresso ao Irão surge no meio de protestos nacionais a exigir mais liberdades para as mulheres, após a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, que morreu sob custódia policial após ser detida por alegadamente ter usado o hijab de forma imprópria.

Alguns manifestantes veem-na como um símbolo da causa e os grupos de direitos humanos têm expressado receios pelo que lhe irá acontecer agora que está de volta ao Irão. Um site de notícias crítico do regime iraniano, IranWire, tinha afirmado que Rekabi seria transferida para a prisão quando chegasse ao país.

A própria Rekabi sugeriu – tanto na sua conta de Instagram como em entrevistas à agência noticiosa estatal IRNA – que só tinha competido "acidentalmente" sem o hijab, que o Irão manda usar às mulheres que representam o país no estrangeiro.

No entanto, não é claro se os comentários de Rekabi foram feitos sob coação. Os seus comentários mais recentes no Instagram surgiram quando o chefe da federação iraniana de montanhismo e escalada desportiva teria negado que Rekabi estivesse em prisão domiciliária.

Em conversa com a agência noticiosa Borna, afiliada ao governo iraniano, Reza Zarei disse que Rekabi estava "agora com a família". Zarei também negou os rumores de que teria recebido cheques ou documentos de propriedades de Rekabi ou de qualquer outro atleta que competisse no campeonato asiático.

A agência noticiosa Borna está afiliada ao Ministério do Desporto e Juventude do Irão. A CNN não consegue verificar se Rekabi está ou não em prisão domiciliária.

Sanções canadianas "absurdas", diz Irão

Entretanto, o Irão respondeu na sexta-feira às sanções canadianas dirigidas às estações de notícias iranianas, descrevendo-as como um "absurdo".

Este mês, o Canadá disse que iria impor sanções adicionais a indivíduos e entidades iranianas que tenham participado ou permitido violações dos direitos humanos.

Além disso, o Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica (IRGC) e os seus principais líderes – mais de 10 mil oficiais e membros seniores – estariam agora impedidos de entrar no Canadá "pelo seu envolvimento no terrorismo e violações sistémicas e grosseiras dos direitos humanos".

De acordo com Nasser Kanani, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, as mais recentes sanções canadianas incluem também a agência de notícias Tasnim, o jornal Kihan, a Noor News e a agência de notícias Fars.

Kanani escreveu no Instagram que tais sanções mostram "o absurdo do slogan do Ocidente em relação ao livre acesso à informação e à liberdade de expressão".

Kanani acrescentou: "A loucura das sanções do Governo dos EUA tornou-se viral e está rapidamente a ser transferida para os seus amigos."

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