Pais e membros de seita religiosa detidos pela morte de menina de 8 anos. Tinha diabetes, não lhe deram insulina e preferiram rezar

5 jul, 15:52
Jayde Struhs e Elizabeth Struhs

Elizabeth Struhs morreu em janeiro, depois de estar seis dias sem insulina. Pais da criança foram os primeiros suspeitos detidos e acusados dos crimes de homicídio, tortura e negligência. Polícia diz que membros do culto agora detidos sabiam dos problemas de saúde da criança e não procuraram ajuda médica

Doze membros de uma seita religiosa de Queensland, na Austrália, foram detidos esta terça-feira por serem suspeitos de estarem envolvidos na morte de Elizabeth Struhs, de 8 anos, em janeiro. 

A menina morreu em Toowoomba depois de lhe terem sido negadas as doses de insulina para a diabetes durante seis dias, anunciou a polícia, citada pela imprensa australiana. Os pais da menina, Jason e Kerrie Struhs, foram detidos a 11 de janeiro e acusados dos crimes de homicídio, tortura e negligência.

Agora, 12 pessoas, entre os 19 e os 64 anos, foram detidas porque sabiam dos problemas de saúde da criança e não procuraram ajuda médica. Os pais e os membros da seita rezaram pela recuperação de Elizabeth porque acreditavam que a menina assim recuperaria.

As autoridades só foram acionadas um dia após ela ter morrido.

“Será alegado que, no total, 14 pessoas fizeram a escolha de negar a essa menina o direito a cuidados médicos. As detenções são o resultado de uma investigação de seis meses, na qual todos os agentes envolvidos se dedicaram a garantir que os supostos responsáveis pela sua morte sejam levados a tribunal”, afirmou o coordenador regional de crimes, o detetive Garry Watts.

Em conferência de imprensa, o detetive afirmou que, em 40 anos como agente, nunca teve "um caso como este".

Os 12 detidos devem ser presentes ao juiz na quarta-feira, enquanto que os pais da menina deverão regressar a tribunal no final do mês.

Culto movido pelo medo

Jayde Struhs, irmã mais velha da menina, que ficou agora responsável pelos cinco irmãos menores, criou uma angariação de fundos para juntar dinheiro para cuidar das crianças e, no texto do GoFundMe, descreve que a família está "completamente destruída e de coração partido".  

"Aos 16 anos, tomei a decisão de fugir de casa e deixar minha família para trás por causa do culto movido pelo medo e pelas crenças controladoras de que os meus pais fazem parte", escreve a jovem.

Jayde explica que, apesar de ter saído de casa, manteve o contacto com a restante família e os sete irmãos, porque tinha esperança que estes tivessem uma vida normal.

"Apesar de ter sido rejeitada pelos meus pais, tentei manter-me em contacto porque preocupo-me com os meus irmãos e tinha esperança que eles um dia tivessem uma vida normal. No dia 11 de janeiro, a minha família alargada foi confrontada pelas notícias que nos destruíram completamente e deixaram de coração partido. Descobrimos a morte da Elizabeth da forma mais cruel. Com tantas perguntas por responder, enfrentámos a realidade brutal de que as pessoas que a deviam ter protegido não o fizeram e que nunca descobriremos a totalidade do que aconteceu", acrescenta Jayde.

Jayde Struhs explica que ela e outro irmão já são adultos, mas que Elizabeth tinha cinco irmãos menores que agora vão ficar a seu cargo e da companheira, que também tem dois filhos. No entanto, a jovem pede ajuda monetária para que o acolhimento das crianças seja feito nas melhores condições possíveis.

"A moradia e o transporte adequados são um dos maiores obstáculos que enfrentamos ao reunir todos. Enquanto a minha vida muda de uma casa de dois quartos e um carro de quatro portas para uma casa de família e um carro que acomode mais pessoas, as necessidades do dia a dia, é preciso comprar itens domésticos e veículos. Atualmente, as crianças só têm os itens de vestuário básicos recuperados de casa pelos Oficiais de Segurança Infantil", explica Jayde no texto da angariação de fundos onde pede ajuda para reunir 100 mil dólares (97 mil euros).

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