Documentos apreendidos na mansão de Trump tinham informações secretas e altamente sensíveis sobre o Irão e a China

CNN Portugal , HCL
21 out, 19:38
Casa de Donald Trump em Mar-a-Lago alvo de buscas pelo FBI (AP Photo/Wilfredo Lee)

São considerados entre os mais sensíveis que o FBI recuperou até à data. Revelação não autorizada de informações poderia comprometer os serviços secretos norte-americanos

Uma parte dos documentos secretos apreendidos pelo FBI na residência de Donald Trump em Mar-a-Lago incluíam informações altamente sensíveis sobre o Irão e a China, de acordo com o Washington Post que cita fontes familiarizadas com o assunto. Se partilhadas com outras pessoas, tais informações poderiam expôr métodos de recolha de informações que os Estados Unidos não querem que sejam divulgados.

De acordo com o jornal norte-americano, pelo menos um dos documentos apreendidos pelo FBI descreve o programa de mísseis do Irão e outros documentos revelam uma operação de recolha de informações da China, altamente sensível.

A revelação não autorizada destas informações pode representar vários riscos, como comprometer os esforços dos serviços secretos dos EUA e os métodos de recolha de informações. Além disso, outros países poderiam retaliar contra os Estados Unidos por acões que este país tenha empreendido em segredo.

Casa de Donald Trump em Mar-a-Lago alvo de buscas pelo FBI (AP Photo/Wilfredo Lee)

Os documentos secretos sobre o Irão e a China são considerados entre os mais sensíveis que o FBI recuperou até à data na sua investigação a Trump e aos seus associados por alegadas falhas na manutenção de informações secretas, obstrução e destruição de registos governamentais.

Pouco depois da notícia ter sido publicada no jornal, Trump reagiu nas redes sociais, sublinhando que o FBI e a Administração dos Arquivos e Registos Nacionais (NARA) estão a tentar incriminá-lo. "Quem poderia alguma vez confiar em agências corruptas, armadas, e isso inclui a NARA", escreveu o antigo presidente norte-americano, acrescentando acreditar na possibilidade de a NARA e o FBI “terem plantado os documentos ou mesmo subtraído os documentos - nunca saberemos, pois não?".

As revelações são feitas após, em agosto, agentes do FBI terem realizado buscas na mansão de Donald Trump e encontrado dezenas de pastas vazias marcadas como confidenciais, segundo revela um documento tornado público por um tribunal da Flórida. De acordo com a BBC, nesse documento é apresentado um inventário do conteúdo de 33 caixas que foram recuperadas da mansão em Mar-a-Lago do antigo presidente norte-americano.

O tribunal também revela que alguns arquivos secretos foram recuperados do escritório pessoal de Donald Trump. O antigo chefe de Estado dos EUA está a ser investigado por ter desviado documentos confidenciais, mas já rejeitou o envolvimento em quaisquer irregularidades. Entre os itens recuperados da arrecadação durante as buscas de 8 de agosto estavam três documentos marcados como confidenciais, 17 documentos marcados como secretos, sete documentos com a indicação de ultrassecretos, 43 pastas vazias com etiqueta de ‘classificados’ e 28 pastas vazias, cujo rótulo especifica: “Devolver ao Secretário de Estado-Maior/auxiliar militar".

O Departamento de Justiça avaliou não haver nenhum espaço seguro na mansão de Trump capaz de guardar segredos tão sensíveis do Governo e abriu uma investigação criminal focada na retenção desses documentos, e a juíza norte-americana Aileen Cannon ordenou, na quinta-feira, que o inventário mais detalhado fosse tornado público, depois de um pedido da equipa do político republicano.
 

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