Relatório sobre conflitos armados nos primeiros seis meses de 2022: "declínio contínuo na estabilidade global"

Agência Lusa , CF
16 ago, 22:46
Conflitos em 2020

As situações na Etiópia, Iémen, Sahel, Nigéria, Afeganistão, Líbano, Sudão, Haiti, Colômbia e Myanmar (antiga Birmânia) foram destacadas pelo Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Casos

O Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Casos (ACLED, na sigla em inglês) identifica, no seu relatório sobre os primeiros seis meses do ano, um “declínio contínuo na estabilidade global", desde África ao Afeganistão e Colômbia.

As situações na Etiópia, Iémen, Sahel, Nigéria, Afeganistão, Líbano, Sudão, Haiti, Colômbia e Myanmar (antiga Birmânia) foram destacadas por esta plataforma no início do ano.

No relatório da organização para 2022 não estava contemplada a situação na Ucrânia, por ter sido divulgado antes da invasão russa.

“Há desestabilização suficiente para uma preocupação com os efeitos coletivos da queda de democracias, transições abortadas, autoritarismo revigorado e muito mais. Essas ameaças atuais são muito diferentes de uma época em que as preocupações se concentravam no crescente espetro da violência islâmica ou ‘conflito étnico’”, referiu Clionadh Raleigh, citada no relatório da organização não governamental (ONG).

Ainda assim, Raleigh salientou que “não há prova de contágio e difusão de golpes ou outras formas de desestabilização”, exceto o contágio “muito propositado no Sahel".

“Mas é muito pior considerar como os estados estão a destruir as suas próprias instituições e estruturas governativas com competição interna, deixando os seus cidadãos à deriva no caos violento”, atirou.

O Afeganistão e a Colômbia partilham um futuro em que os civis “enfrentam um aumento na violência direcionada, à medida que grupos armados estatais ou afiliados ao Estado” continuam a contestar as estruturas de autoridade.

No país da Ásia Central, os primeiros seis meses demonstraram “os desafios políticos, de segurança e económicos sem precedentes”, com uma profunda crise económica e níveis crescentes de violência contra civis.

Na Colômbia, a previsão da ACLED é que a situação se deteriore mais até final do ano, apesar da nova dinâmica de segurança do novo Presidente Gustavo Petro.

Já no Líbano, o bloqueio político sem nenhum bloco com maioria no Parlamento deve manter-se e criar novas tensões socioeconómicas no final do ano, quando deve ser eleito um novo Presidente.

No Haiti, enquanto gangues e forças governamentais lutam pelo controlo, a violência dá sinais de diminuição, embora a insegurança continue a ser o principal motivo de manifestações no país, o que pode bloquear a realização de eleições.

O conflito no Iémen dura há sete anos e “continua a ser o maior desastre humanitário do mundo”, apesar da desescalada que pode resultar das conversações ‘secretas’ entre Irão e Arábia Saudita para retoma de laços diplomáticos, que beneficia o Iémen.

No Sahel, o “ecossistema de conflito mudou significativamente nos primeiros seis meses de 2022, com a chegada de mercenários [grupo militar russo] Wagner e a retirada das forças francesas do Mali”, sendo que “a dinâmica geral segue os mesmos padrões” documentados pela ACLED em junho de 2021.

A Nigéria enfrenta uma crescente insegurança devido às forças militares “sobrecarregadas e mal armadas”, com os insurgentes do Boko Haram a conseguirem “expandir as suas áreas de operação”.

Já em Myanmar, o golpe militar de fevereiro de 2021 foi “recebido com um descontentamento público esmagador, expresso por meio de manifestações que foram reprimidas à força pela junta militar”, situação que também se deve prolongar no que resta do ano.

No Sudão, as elites militares e de alto escalão do conselho de governo são responsáveis por um recuo do “caminho para a democracia”, instabilidade que deverá agravar a atual crise de fome.

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