Restos mortais de desertora norte-coreana apontada como um exemplo encontrados em Seul. Estaria morta há já um ano

CNN , Jessie Yeung e Yoonjung Seo
27 out, 22:00
Soldados do Comando das Nações Unidas e da Coreia do Sul na aldeia da trégua de Panmunjom, na zona desmilitarizada que separa a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, em 19 de julho de 2022.

As autoridades sul-coreanas deram início a uma investigação depois de terem sido encontrados na capital Seul, na passada quarta-feira, os restos mortais de uma desertora norte-coreana. Era uma mulher na casa dos 40 anos que fugiu para a Coreia do Sul em 2002, segundo a Polícia e o Ministério da Unificação da Coreia do Sul.

A mulher não pagara a renda durante vários meses e estava incontactável, pelo que a Seoul Housing & Communities Corporation – uma empresa de habitação pública – enviou trabalhadores ao apartamento, onde encontraram o seu corpo, segundo a Polícia de Seul.

O corpo estava em avançado estado de decomposição, era "praticamente um esqueleto", segundo a Polícia. Com base nas roupas de inverno que usava, a Polícia suspeita que esteja morta há cerca de um ano, mas são esperados detalhes mais precisos após a autópsia.

O Ministério da Unificação não referiu o nome dela, mas disse que as autoridades a tinham apontado como um exemplo de uma história de realojamento de sucesso.

De 2011 a 2017, a mulher trabalhou como conselheira na Korea Hana Foundation - administrada pelo ministério – ajudando outros desertores a reinstalarem-se na Coreia do Sul, segundo o ministério.

As autoridades sul-coreanas monitorizam regularmente os desertores norte-coreanos e verificam como se encontram durante o seu processo de reinstalação, mas em 2019 a mulher pediu à Polícia para não prolongar os seus serviços de proteção, segundo a Polícia de Seul.

O Ministério da Unificação disse ainda que a mulher não constava na sua lista de vigilância.

A Polícia disse que apresentou um pedido de investigação ao Serviço Nacional Forense.

Um funcionário do Ministério da Unificação disse que o caso é "muito triste", acrescentando que o ministério irá reexaminar o sistema de gestão de crise para desertores norte-coreanos e trabalhar em áreas que precisem de ser melhoradas.

O Ministério da Saúde e Bem-Estar da Coreia do Sul já tinha avisado que havia "sinais de uma crise de bem-estar", o que levou as autoridades locais de Seul a iniciarem a sua própria investigação.

Os desertores começaram a entrar na Coreia do Sul em números significativos na viragem do século, sendo que a maioria fugiu primeiro pela longa fronteira da Coreia do Norte com a China.

Desde 1998, mais de 33 mil pessoas desertaram da Coreia do Norte para a Coreia do Sul, segundo o Ministério da Unificação, com os números anuais a atingirem os 2.914 em 2009.

Estes números diminuíram acentuadamente desde o início da pandemia, com apenas 42 desertores registados este ano até agora, em comparação com mais de mil em 2019.

O percurso pela fronteira acarreta muitos riscos, como ser levado para o tráfico de comércio sexual da China, ou ser apanhado e enviado de volta para a Coreia do Norte, onde os desertores enfrentam tortura, prisão e morte.

Mas aqueles que conseguem chegar à Coreia do Sul deparam-se amiúde com novos desafios, incluindo o choque cultural, a hostilidade de alguns sul-coreanos, a pressão financeira e a dificuldade em encontrar emprego no competitivo mercado de trabalho do país.

Em 2020, 9,4% dos desertores na Coreia do Sul estavam desempregados, em comparação com os 4% da população em geral, segundo o Ministério da Unificação.

No início de janeiro, um desertor na Coreia do Sul – alegadamente um operário da construção civil na casa dos 30 anos – regressou à Coreia do Norte, apenas um ano depois de ter fugido da nação isolada e empobrecida. O seu regresso fez manchetes internacionais, mostrando o quão difícil a vida na Coreia do Sul pode ser para os norte-coreanos.

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