Portugal é dos piores países da UE para um jovem encontrar emprego - e os que encontram ganham mal (mas lá fora chegam aos €3000)

10 jan 2023, 15:09
Jovens

Aumento do desemprego jovem foi transversal à maioria dos países europeus mas Portugal já integra o top 10 onde este indicador é mais expressivo

O desemprego jovem na União Europeia (UE) passou dos 14,8% em novembro de 2021 para os 15,1% um ano depois. Isto significa que há um acréscimo de 180 mil jovens sem trabalho na UE, sendo que Portugal já conta com 65 mil jovens nesta situação.

Segundo dados do Eurostat, a subida do desemprego jovem não aconteceu exclusivamente em Portugal, tendo afetado um conjunto de países da UE. Mas, no caso de Portugal, esta subida é mais preocupante pois coloca o país no top 10 dos Estados-membros com a maior taxa de desemprego jovem.

Já no que diz respeito à realidade salarial dos jovens, o estudo “Êxodo de competências e mobilidade académica de Portugal para a Europa” conclui que os jovens com habilitações superiores que vão para o estrangeiro chegam a ganhar três vezes mais do que em Portugal.

O documento destaca que 70% dos jovens inquiridos reportaram receber em Portugal um rendimento inferior a 1.000 euros, enquanto 26,5% passaram mesmo a receber mais de 3.000 euros depois de emigrarem. Na mesma direção seguem também as conclusões do Livro Branco “Mais e melhores empregos para os jovens”, da Fundação José Neves. Segundo o documento, a proporção de jovens com salário mínimo é de 33,9% na faixa até aos 25 anos, um número que passa para os 25,8% nos caso dos jovens entre os 25 e os 29 anos. Em comparação, os trabalhadores com mais de 30 anos a receber o salário mínimo representam 23,7% da força de trabalho.

Por outro lado, se não estiverem limitados pelo ordenado mínimo, os jovens portugueses ficam limitados pelos contratos precários, já que mais de metade dos jovens entre os 15 e os 24 anos (58,2%) estão em situação de emprego temporário. No lado da Europa, a média está nos 48,5%, mas este fosso aprofunda-se ainda mais na faixa dos 25 aos 29 anos. Neste grupo etário, 40,3% dos trabalhadores estão em emprego temporário (dados de 2021), ao passo que a média da UE está nos 24,3%.

De regresso aos dados do Eurostat

A percentagem de portugueses desempregados com menos de 25 anos situou-se nos 18,2% em novembro de 2022. Embora este número seja inferior aos 22,5% registados um ano antes, a tendência de redução já se está a inverter. Desde novembro de 2021 que o desemprego jovem português tinha vindo a cair mas esta queda estagnou entre agosto e setembro de 2022 (nos 18,7%). Depois de uma queda adicional em outubro (para os 17,9%), o desemprego jovem começa agora a inverter a tendência, tendo voltado a subir em novembro.

Em comparação com os pares europeus, Portugal figura em 9.º lugar no "ranking" dos países com o maior desemprego jovem. Em primeiro lugar está Espanha, seguida da Grécia (o país que ocupava o primeiro lugar do "ranking" em 2021) e Itália.

Se analisarmos antes a média dos países da UE, o desemprego jovem avançou dos 14,8% para os atuais 15,1% no espaço de um ano, sendo que em Portugal está agora nos 18,2%.

Embora o aumento do desemprego jovem esteja em linha com a tendência europeia, o mesmo não se pode dizer no que toca ao desemprego geral.

Na UE, o desemprego total baixou de 6,5% (em novembro de 2021) para os 6% no espaço de um ano. Já Portugal entra em contraciclo neste aspeto. O gabinete de estatísticas europeu aponta que o desemprego total do país passou de 6,2% (novembro 2021) para 6,4% (novembro 2022) em um ano.

A subida pode não parecer expressiva mas de agosto a outubro de 2022 este indicador quase estagnou, oscilando entre os 6% e os 6,1%, revelando que Portugal está com dificuldades em acompanhar a Europa na criação de emprego.

Os dados do Eurostat surgem num período de antecipação de uma eventual recessão económica global, em relação ao atual contexto de inflação elevada e subida das taxas de juro, bem como após a divulgação de um conjunto de dados referentes à realidade laboral do mercado português.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística português (INE), em metade dos municípios os trabalhadores ganham uma média de menos de mil euros por mês. “Em 50% dos 308 municípios [154] de Portugal, o ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem a tempo completo e com remuneração completa era em 2020 inferior a 1000 euros”, destacam os Anuários Estatísticos Regionais do INE.

Ainda que em metade dos municípios se receba em média menos de mil euros mensais, o ganho médio por mês no total do país é de 1.247 euros, sublinha o gabinete estatístico português. Em Lisboa e Porto o vencimento já é acima desta média, situando-se nos 1.516 e 1.257 euros, respetivamente, mas é em Alcochete onde o ganho é mais elevado, na ordem dos 2.020 euros.

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