Portugal vai acabar por ter casos de dengue, "mas vai demorar"

Agência Lusa , AM
12 abr, 12:04
Mosquito do dengue (imagem Getty)

Mosquito aedes albopictus, que é transmissor de doenças como a dengue e chikungunya, provocou na Europa 165 casos de dengue entre 2010 e 2023, designadamente em França, Croácia, Itália e Espanha, e metade destes casos ocorreram no ano passado

A coordenadora da Rede Nacional de Vigilância de Vetores (REVIVE) considera que Portugal continental vai acabar por ter casos de dengue ou chikungunya, mas vai demorar porque o mosquito transmissor é diferente do da Madeira e "menos eficaz".

“Este mosquito [aedes albopictus] vai-nos trazer casos de dengue e chikungunya, mas vai demorar”, disse à Lusa Maria João Alves, explicando que o mosquito presente em território continental é diferente do existente na Madeira [aedes aegypti] desde 2005.

Em declarações à Lusa no dia em que é apresentado o relatório do programa REVIVE, a especialista explicou: “a Madeira, em três meses, teve 2.164 casos e a Europa, em 13 anos, 165 casos”.

“É um vetor secundário [o mosquito presente em Portugal continental], menos eficaz. E as condições da Madeira também são diferentes, mais tropicais”, acrescentou, sublinhando: “vamos ter casos de dengue, mais tarde ou mais cedo, mas não vamos ter surtos de dengue como na Madeira ou como nas zonas tropicais”.

Contudo, “vamos ter de ter as condições que estes países já têm, que é uma grande quantidade de mosquitos, uma grande abundância e introdução de casos positivos, ou seja, pessoas que cheguem positivas de zonas endémicas”.

O mosquito aedes albopictus, que é transmissor de doenças como a dengue e chikungunya, provocou na Europa 165 casos de dengue entre 2010 e 2023, designadamente em França, Croácia, Itália e Espanha, e metade destes casos ocorreram no ano passado.

O aedes albopictus foi pela primeira vez identificado na região de Lisboa no ano passado. Já tinha sido detetado no Norte, em 2017, no Algarve, em 2018, e no Alentejo, em 2022.

Questionada sobre o impacto das alterações climáticas na distribuição geográfica deste tipo de vetores, Maria João Alves respondeu: “obviamente que as alterações climáticas vão alterar de um momento para outro, ou gradualmente, a distribuição dos vetores, mas nem sempre é para mais, pode ser para menos, depende dos vetores e do ciclo de vida”.

Quanto aos riscos de doenças transmitidas por vetores em Portugal, reconheceu que o maior é o da febre da carraça e da borreliose de lyme, doenças que já existem no país.

Maria João Alves alertou ainda que as carraças, devido às alterações climáticas, estão mais distribuídas: “Aquelas que eram mais do verão e aquelas que eram mais do inverno estão a aumentar a sua distribuição sazonal”, aumentando a possibilidade de ter mais casos destas doenças.

Sobre o vírus do Nilo Ocidental, a especialista disse que tem sido feita a pesquisa em mosquitos e não foi identificado e que não foram notificados casos em humanos até ao momento em Portugal, acrescentando que apenas a Direção-Geral de Veterinária notificou 13 casos de cavalos positivos, na região de Lisboa e Alentejo.

Em Espanha, no ano passado, pelo menos duas pessoas morreram com sintomas compatíveis com a infeção pelo vírus da febre do Nilo Ocidental. Este vírus afeta humanos e equídeos e a transmissão ocorre por picada de mosquito.

Em Portugal, a febre do Nilo Ocidental em humanos é uma doença de notificação obrigatória no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE).

Maria João Alves disse ainda que está a ser feita a vigilância, em carraças, do vírus da febre hemorrágica Crimeia-Congo, uma vez que já houve casos em Espanha - 10 casos entre 2016 a 2020 -, mas até ao momento não houve casos positivos.

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