Exclusivo: Centeno admitiu ser PM de emergência - mas não será candidato ao PS

9 nov 2023, 23:21
Mário Centeno, António Costa e João Leão

António Costa e Mário Centeno tiveram uma só conversa sobre a possibilidade de o atual governador do Banco de Portugal voltar ao governo para chefiá-lo. Centeno abriu a possibilidade mediante condições que já não chegaram a fechar-se. Seria uma solução de emergência. Já um cenário de eleições no PS está fora dos questão

Havia a solução Costa mas prevaleceu a dissolução Marcelo. E a solução Costa era Mário Centeno. Tanto que o próprio, sabe a CNN Portugal, mostrou disponibilidade para tanto. Mas não mostra agora disponibilidade para se candidatar a secretário-geral do PS - até porque não é militante do partido.

Houve apenas uma conversa entre António Costa e Mário Centeno, antes de o ainda primeiro-ministro propor a Marcelo o nome que lhe poderia suceder no cargo dispensando eleições. Nessa única conversa, o acordo entre os dois ex-colegas de governo foi o de que, em tese, sim: Mário Centeno admitia encarar a hipótese de ser um primeiro-ministro indigitado numa situação de emergência, mesmo se para tal seria necessário encontrar determinadas condições, coisa que ficaria para conversas subsequentes. Mas elas já não existiram: o Presidente da República mostrou-se indisponível para esse cenário, que o PS preferia, e anunciou esta quinta-feira à noite a marcação de eleições antecipadas para 10  de março de 2024.

A resposta positiva de Mário Centeno ao repto de António Costa visava criar condições de estabilidade governativa numa maioria absoluta que seria nesse caso liderada por um ex-ministro das Finanças que saiu do governo em ombros: o homem das “contas certas” tinha não só autoridade política reconhecida dentro do governo como granjeava popularidade na opinião pública, liderando aliás rankings de “ministro mais popular do governo” na altura em que saiu para as funções de governador do Banco de Portugal.

Marcelo não quis a solução que o PS preferia – preferência que aliás se viu no Conselho de Estado, que se dividiu entre oito votos de conselheiros à direita a favor de eleições, e oito votos de conselheiros à esquerda a favor da manutenção do governo de maioria absoluta. Desempatou Marcelo e anunciou eleições.

Centeno não será candidato ao PS

A solução de emergência desencantada por António Costa não estava nos plano de Mário Centeno – nem está o de ser agora candidato a secretário-geral do Partido Socialista, até porque não é militante: ao contrário de Marta Temido, que foi seu colega no Conselho de Ministros, Mário Centeno mantém-se independente. E a CNN Portugal sabe que o governador do Banco de Portugal pretende continuar a sê-lo, num cargo onde, aliás, não se tem furtado a ter opiniões fortes e públicas sobre o seu entendimento quanto a políticas económicas, financeiras e orçamentais. 

Para já, há dois possíveis candidatos à liderança do PS: Pedro Nuno Santos, dado como certo, e José Luís Carneiro, que o já disse que o será esta quinta-feira à noite. Já Fernando Medina, próximo de António Costa e da sua linha política no PS, não deu ainda qualquer sinal sobre qual a sua posição quanto ao futuro do partido.

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