Os sul-coreanos acordaram um ano mais novos, alguns até dois. Saiba porquê

28 jun 2023, 09:33
Cerimónia de graduação na Coreia do Sul (Ahn Young-joon/AP)

Entrada em vigor de uma nova lei visa combater dificuldades sociais e económicas

Gostava de poder ser mais novo um ou dois anos? É isso que vai acontecer a todos os sul-coreanos, que a partir desta quarta-feira passam a ter um novo sistema para contabilizar a idade.

Até aqui, um sul-coreano nascia já com um ano, uma vez que era contabilizado o tempo que a criança passava no útero da mãe, de acordo com a "idade coreana". No limite, um recém-nascido podia mesmo ter dois anos poucos dias depois de nascer: é que havia famílias que adicionavam aos bebés um ano no primeiro dia 1 de janeiro do ano seguinte ao do nascimento, a chamada "idade de calendário". Na prática, e caso fossem aplicados ambos os sistemas, uma criança que nascesse a 31 de dezembro tinha dois anos no dia seguinte. É o caso do cantor Psy, que nasceu precisamente no último dia do ano de 1977. Com a nova lei pode passar a ter 45 anos, enquanto a "idade de calendário" lhe dava 46 e a "idade coreana" 47.

De referir que a "idade coreana" se trata de um costume, pelo que era facultativa e dependia da família, enquanto o segundo caso era mesmo obrigatório, estando inscrito na lei.

Agora, com o sistema a alinhar-se pelo que é feito internacionalmente, tudo muda, com toda a população a ficar um ou até dois anos mais nova. E isso graças à insistência do presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, que ainda em campanha eleitoral definiu esta mudança como uma das prioridades, uma vez que o sistema que vigorava criava “custos sociais e económicos desnecessários”.

É que não era apenas nos registos que isto tinha impacto. Ser mais velho um ou dois anos criava problemas a pessoas que queriam fazer seguros de saúde, comprar casa ou ser elegível para programas de apoio do Estado.

Apesar das mudanças, muitas das regras vão manter-se como antigamente. Por exemplo, para comprar tabaco ou álcool, o que é contabilizado é o ano em que a pessoa faz 19 anos, e não o dia. Isto é, quem faça 19 anos apenas em novembro ou dezembro de 2023 já pode comprar tabaco ou álcool desde janeiro.

Uma mudança que é bem-vista pela sociedade sul-coreana, de acordo com uma sondagem feita pela empresa Hankook Research, que concluiu que 75% da população estava contra o “sistema coreano”.

Os sistemas tradicionais de contabilização da idade também eram amplamente utilizados noutros países do este asiático. No Japão, por exemplo, o sistema internacional foi adotado em 1950, enquanto a Coreia do Norte passou a reger-se pelo sistema mais comum na década de 1980.

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