Coreia do Norte ameaça usar armas nucleares e “aniquilar” o Sul

28 jul, 05:07
Kim Jong Un discursando no "Dia da Vitória"

Líder norte-coreano lançou as novas ameaças quando Pyongyang estará a preparar-se para voltar aos ensaios nucleares. Kim Jong Un diz que o seu país está “completamente preparado” contra ameaças dos EUA ou da Coreia do Sul

 

Depois de um interregno de cerca de dois meses, por causa do surto de covid que atingiu a Coreia do Norte, o líder norte-coreano voltou a distribuir ameaças de guerra contra os Estados Unidos e a Coreia do Sul. Num discurso assinalando o “Dia da Vitória” - o feriado nacional que marca o fim da Guerra da Coreia de 1950-53 - Kim Jong Un disse que o seu país está pronto para utilizar armas nucleares contra os dois principais inimigos e prometeu a “aniquilação” do vizinho do sul, se se sentir ameaçado por Seul.

O regresso de Kim à retórica belicista mais inflamada ocorre quando os serviços secretos dos EUA e da Coreia do Sul acreditam que Pyongyang está à beira de retomar os ensaios nucleares, suspensos em 2017.

O regresso da Coreia do Norte aos ensaios nucleares é o passo que falta numa escalada de testes de armamento, que este ano atingiu níveis sem precedentes. Nos últimos meses o país testou mísseis hipersónicos, mísseis balísticos intercontinentais, e mísseis que segundo os norte-coreanos podem transportar armas nucleares táticas - armas supostamente com a capacidade de atingir boa parte do território dos EUA e da Europa, mas também capazes de reduzir drasticamente o tempo que a Coreia do Sul teria para responder a um eventual ataque.

"As nossas forças armadas estão completamente preparadas para responder a qualquer crise, e a dissuasão da guerra nuclear da nossa nação está também totalmente preparada para mobilizar a sua força absoluta de forma fiel, precisa e rápida para a sua missão", disse Kim perante antigos combatentes da guerra das Coreias.

"Prontos" para o confronto com os EUA

Os EUA voltaram a ser um dos alvos preferidos do líder norte-coreano, segundo o qual o “confronto” com os Estados Unidos, envolvendo a ameaça nuclear, exigiu que o Norte realizasse uma "tarefa histórica urgente" de reforçar a sua autodefesa, investindo nesta capacidade de dissuasão.

"Mais uma vez deixo claro que a Coreia do Norte está totalmente pronta para qualquer confronto militar com os Estados Unidos", disse Kim, que acusou os EUA de “diabolizar” o Norte, rotulando como ameaças ou provocações atividades militares “de rotina” - uma aparente referência aos testes de mísseis norte-coreanos.

"Isto está a conduzir as relações bilaterais [com os EUA] a um ponto em que é difícil voltar atrás, a um estado de conflito", disse Kim Jong Un.

Ameaças diretas ao novo governo de Seul

Mas a retórica foi igualmente inflamada em relação à Coreia do Norte, sobretudo por causa da chegada ao poder de um novo presidente, o conservador Yoon Suk-yeol, com uma agenda focada em rearmar o país e estreitar a cooperação militar com os Estados Unidos.

Segundo a agência de notícias norte-coreana, Kim denunciou as intenções belicosas da administração Yoon Suk-yeol, dizendo que qualquer tentativa de anular antecipadamente as capacidades de ataque do Norte terá uma resposta severa e levará à "aniquilação" do Sul.

"Uma tentativa tão perigosa seria punida imediatamente por forças poderosas, e a administração Yoon Seok-yeol e os seus militares seriam exterminados", disse Kim, que apareceu na cerimónia de Pyongyang com a sua esposa, Ri Sol-ju.

Embora não descartem a gravidade das palavras do líder norte-coreano, observadores citados pela Associated Press notam que o regresso à retórica belicista contra os inimigos externos podem ser uma forma de Kim desviar as atenções do país em relação à profunda crise económica que a Coreia do Norte atravessa, devastado pela seca, pela pandemia de covid-19, e com dificuldade em receber ajuda da Rússia e da China, os seus dois aliados tradicionais.

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