Morreu Constantino II, o último rei da Grécia

11 jan, 09:04

Reinado terminou com a instauração da república e um exílio forçado. Constantino II voltaria, mas a sua vida nunca mais foi a mesma

Morreu esta terça-feira o rei Constantino II, o último monarca da Grécia, cujo reinado de nove anos marcou um dos períodos mais conturbados da política grega, terminando com a instauração da Terceira República Helénica, em 1973.

Constantino II morreu aos 82 anos, após um AVC, de acordo com o seu médico pessoal, já depois de ter sido internado num hospital de Atenas na sequência de problemas respiratórios.

Quando subiu ao trono, em 1964, era uma figura popular na Grécia, nomeadamente pelos seus feitos no desporto, uma vez que tinha ganho a medalha de ouro de vela nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960.

Apenas um ano após ter sido proclamado rei, começou a ver a sua popularidade a cair, nomeadamente pela influência que teve na queda do governo centrista de George Papandreou, num episódio que ficou conhecido na Grécia como “apostasia”, levando a uma instabilidade constitucional que culminou num golpe militar a 1967. Isso mesmo levou a choques entre a monarquia e o exército, acabando Constantino II forçado ao exílio, quando a ditadura militar aboliu a monarquia.

Um movimento apoiado pelos gregos, que em 1974 votaram a favor do fim da monarquia num referendo que recebeu o apoio de 70% dos eleitores, terminando definitivamente com a duração de uma dinastia que vinha de 1863.

Constantino II, então príncipe, com Dwight Eisenhower, presidente dos EUA em 1959 (Charles Gorry/AP)

Constantino II acabaria por voltar ao país em 1981, depois de uma estadia em Londres. Apesar da força da república helénica, nunca deixou de utilizar o título de rei e de chamar príncipes aos seus filhos, mesmo que a Grécia já não reconheça oficialmente títulos da nobreza.

Vários anos depois, o episódio ainda perdurava na mente dos gregos: em 2008, e numa sondagem realizada nacionalmente, apenas 12% defendiam um regresso à monarquia, enquanto 43% ainda culpavam Constantino II pela instauração da junta militar. Mas a luta não se fez só nas ruas ou nas urnas: inconformado com o estatuto de Constantino II, o governo socialista que vigorava em 1994 ordenou a retirada da nacionalidade ao rei e a expropriação das propriedades reais. O monarca acabou por dar entrada a um processo no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que lhe deu razão e decidiu pela atribuição de uma indemnização de 12 milhões euros em 2002, uma pequena fração dos 500 milhões de euros pretendidos com o processo.

Filho da princesa Frederica de Hannover e do príncipe Paulo, irmão mais novo do rei Jorge II, Constantino II tem ainda uma irmã famosa na monarquia europeia. Trata-se da rainha Sofia de Espanha, ex-mulher do rei Juan Carlos e mãe do atual rei espanhol, Felipe VI. Constantino II era ainda sobrinho do príncipe Philip, pai do atual rei britânico, Carlos III, de quem era próximo durante a estadia em Londres, na altura do exílio. Era ainda cunhado da atual rainha da Dinamarca, Margrethe II, que é irmã da princesa Anne-Marie, mulher do último rei da Grécia.

Constantino II deixa cinco filhos (Alexia, Pavlos, Nikolaos, Theodora e Philippos) e nove netos.

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