O que distingue o amor da paixão e o que cada um faz ao corpo?

27 nov 2021, 09:00
Amor, casal, paixão
Amor, casal, paixão

São dos sentimentos mais apreciados, mas também daqueles que mais facilmente assumem o controlo… até mesmo da forma como pensamos e agimos. À CNN Portugal, a investigadora Manuela Graziana explica

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Por definição, o amor caracteriza-se como o sentimento que induz a aproximar e a proteger a pessoa pela qual se sente afeição ou atração, o espelho de um grande apego ou afinidade por outra pessoa. Já a paixão é tida como o sentimento intenso de atração, algo fugaz, muitas vezes de cariz sexual, mas para muitos inesquecível. O amor é um sentimento a longo prazo, que evolui e se adapta, já a paixão é momentânea e limitada: pode transformar-se em amor ou simplesmente desvanecer. 

Apesar de o amor e a paixão diferirem em intensidade e duração, ambos têm uma base cerebral - algo não tão romântico como o pensado. Um e outro afetam e são afetados por estruturas cerebrais, que se ativam conforme o estímulo apresentado. E o corpo sente bem cada um destes sentimentos.

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O lado mais cerebral do amor e da paixão

Mais energia quando se está apaixonado, maior sensação de relaxamento e bem-estar quando se ama. Tanto a paixão como o amor têm um impacto direto na disposição da pessoa, mas a verdade é que interferem também com o organismo, muito por culpa da ação das várias hormonas e neurotransmissores que estão envolvidos nestes dois sentimentos.

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“Esse laço afetivo forte que denominamos de amor, que nos dá um grande estímulo de recompensa, vai libertar neurotransmissores do prazer e bem-estar, que são vários. É um sistema altamente complexo”, começa por explicar Manuela Grazina, professora e investigadora no Centro de Neurociência e Biologia Celular da Universidade de Coimbra. A dopamina é o neurotransmissor que mais se destaca, mas em estados de paixão pode descontrolar-se e trazer algumas consequências. 

A forma como a dopamina “vai encaixar nos seus receptores para levar a mensagem ao longo do circuito para [a pessoa] sentir o resultado final, o prazer e bem-estar”, varia de indivíduo para indivíduo, uma vez que “podemos ter diferentes reações e obviamente que a educação e ambiente social são fundamentais para o funcionamento desta via, que pode ficar comprometida com o isolamento, porque precisamos de afeto, seja familiar ou social”, diz a investigadora.

Para já, são ainda poucos os estudos que se debruçam sobre o papel do amor no cérebro (e vice-versa), mas sabe-se, que neste sentimento, “a estimulação da via da recompensa é equilibrada e estimulada pela via do reconhecimento facial, como acontece com os bebés”, continua Manuela Grazina.

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No caso da paixão, “de acordo com os estudos disponíveis, o que nos é dado a perceber, na chamada paixão assolapada, quando as pessoas estão loucamente apaixonadas, é que o circuito fica desregulado, como na toxicodependência, pois a transmissão de neurotransmissores é excessiva”. E quando a libertação de dopamina é excessiva, tal como que pode acontecer em estados de paixão, “a perceção da realidade altera-se e o importante é que não se mantenha assim demasiado tempo”, alerta a especialista.

Como o corpo reage ao amor e à paixão

Segundo a Universidade de Harvard, o amor romântico pode dividir-se em três fases, todas elas dependentes de hormonas e com impacto direto no organismo. Na fase a que os cientistas chamam de luxúria, e que se pode traduzir em flirt e sedução, são as hormonas sexuais (testosterona e estrogénio) as primeiras a dar sinal - assim como as mãos transpiradas - e estão na origem da passagem à fase seguinte, que é a da atração, que já envolve as áreas cerebrais da recompensa e que pode ser o trampolim para a paixão. Na fase da atração, os estímulos ativam o sistema nervoso simpático, o que pode resultar na dilatação das pupilas.

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E tal como a professora Manuela Grazina explicou, é aqui que se dá uma maior libertação da dopamina que, a par com a noradrenalina (também comum neste sentimento), faz com que, por exemplo, a pessoa fique mais “eufórica, daí o batimento cardíaco acelerado” na presença da pessoa que está na origem da atração, que, na paixão, tem muitas vezes um caril sexual. É também possível que se dê um aumento da temperatura corporal e da pressão arterial, dois fatores que contribuem para que a pessoa fique com a face mais rosada.

Em estados de paixão, sobretudo quando são intensos, é possível que a sensação de apetite seja menor e tal deve-se à redução dos níveis de serotonina que podem acontecer neste estado emocional. Tanto na paixão como no amor, sobretudo nos primeiro tempos deste último, o sistema límbico ativa o nervo vago e é aí que surge a sensação de ‘borboletas’ na barriga, aquele momentos de ansiedade que se ‘sente’ quando se está na presença da pessoa em quem se está interessado.

A fase final, a da ligação, é aquela em que todo o entusiasmo e excitação diminuem, sobressaindo a sensação de bem-estar, muito graças a uma maior libertação de ocitocina, uma hormona produzida pelo hipotálamo e muitas vezes denominada como ‘hormona do amor’, que tem um papel importante no sistema imunitário. Quando a paixão dá lugar ao amor, os níveis de serotonina voltam ao normal, o que, diz a Universidade de Harvard, ajuda a que desapareça a fase “estúpida e obsessiva” tão comum na paixão.

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