Os salários vão subir 20%? “Não há outro remédio”, diz Costa

20 jun, 13:52

O compromisso de António Costa de subir 20% os salários durante os próximos quatro anos foi repetidamente questionada durante a primeira CNN Portugal Summit. O Primeiro-ministro não só defendeu a medida como considera-a inevitável no caminho de convergência com a União Europeia.

O primeiro-ministro, António Costa, confessou-se "surpreendido com a surpresa" causada pelo seu apelo ao aumento dos salários em 20% nos próximos quatro anos, quando o salário médio subiu 22% nos últimos anos.

"Eu fico surpreendido com a surpresa que a minha afirmação constituiu. O salário médio nos últimos anos subiu precisamente 22%. Aquilo que é necessário é manter o ritmo de crescimento salarial que temos tido nos últimos anos", afirmou.

Os salários vão subir 20%? “Não há outro remédio”, diz Costa. Em causa está a necessidade de captar e reter talento. "Esta nova geração não está disponível para as cargas horárias que as empresas estão habituadas a praticar. Os jovens não querem o estilo de gestão autoritário e pouco criativo. Os jovens podem ter alternativas. As empresas não têm", afirmou.

“Pela primeira vez desde o século XVI temos uma geração com qualificações acima da média europeia”, sublinhou António Costa, lembrando que nos últimos anos tem sido feito um esforço para diminuir o abandono escolar e apostar nas qualificações dos jovens portugueses. "Diminuímos de 13,9 para 5% o abandono escolar. Esta é a maior reforma em Portugal. O maior défice estrutural que o país tem, está relacionado com qualificações", afirmou Costa.

Afirmações realizadas durante a emissão especial do "Princípio da Incerteza" na primeira CNN Portugal Summit, programa moderado pelo jornalista Carlos Andrade e que, para além dos comentadores residentes José Pacheco Pereira e Alexandra Leitão, contou com a participação especial do Primeiro-ministro.

Perante o otimismo de António Costa, Pacheco Pereira ripostou que o país não está preparado para absorver os jovens qualificados. "Depois vão trabalhar para caixas de supermercado", lamentou. "Tem razão que existe um risco de frustração e de desaproveitamento do talento. É o maior risco civilizacional que esta geração tem", respondeu o chefe de Governo.

O ceticismo de Pacheco Pereira e o otimismo de António Costa

Pacheco Pereira recordou que, apesar de vários progressos, o país continua a ser "um país de pobres" onde parte "significativa da população" vive na pobreza e dependente de subsídios do Estado.

"É muito bom falar de turismo e depois ter os aeroportos em que as pessoas demoram horas para entrar no país. A desigualdade social não tem diminuído significativamente. Se retirarmos os subsídios do Estado, uma parte do país fica pobre", afirmou.

O comentador da CNN Portugal argumentou que se fala "muito para um país que não existe" e que fora de Lisboa, os serviços têm sofrido uma forte degradação. 

"Correios, serviços médicos, escolas. Há fatores que agravam esta situação de desigualdade mas que também agravam a condição das pessoas com mais desigualdades. Têm a vida muito mais complicada. O passado é pior, mas o presente também é mau", sublinhou.

Em resposta a Pacheco Pereira, o primeiro-ministro afirmou que retrato feito pelo comentador ignora o passado e o facto de o país ter vindo a melhorar bastante nos últimos anos. 

"Não podemos estar sempre a automartirizar-nos como se tivéssemos sido um país rico e de repente estamos pobres. Há muita pobreza, há. Sem transferências sociais, 43% da população seria pobre. Os dois anos de pandemia agravaram a situação, mas antes disso melhorou", considerou António Costa. "E vai continuar a melhorar."

"De 2015 até agora, o PIB per capita subiu 20%. Nós não andámos para trás, enriquecemos. Mas não enriquecemos todos, mas é por isso que é fundamental corrigir as desigualdades", referiu, salientando as conquistas dos últimos anos.

Num momento de boa disposição no auditório da Culturgest, o Primeiro-ministro afirmou que existe "uma doença nacional que é o ceticismo" e brincou com  Pacheco Pereira: "você não sabe o que é o otimismo".

"Eu sigo uma boa regra que é ser otimista na vontade e cético na inteligência", respondeu o social-democrata.

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